Comic-conOpinião

Comic-Con: Marvel vence, mas trailer vaza

Essa questão de “vencer” a Comic-Con é obviamente muito subjetiva. Cada um tem sua opinião e sequer existe uma competição oficial nisso tudo. Mas é certo que ela existe dentro de cada fã, seja de Marvel ou DC Comics, e claro, dentro dos conceitos mercadológicos envolvidos nisso tudo. Mas é certo que as principais novidades dos maiores painéis do Hall H da Comic-Con de San Diego, o maior evento nerd do mundo, ficaram com a Casa das Ideias e, novamente, o time de Kevin Feige. Isso tinha acontecido também em 2016, com o show de rock apresentado por iniciativas como Homem-Aranha: De Volta Ao Lar, Doutor Estranho e Guardiões da Galáxia Vol. 2. O mesmo não aconteceu em 2015, quando a DC/Warner monopolizou o Hall H com Batman Vs Superman, Esquadrão Suicida (na época ninguém sabia que ia ser aquela bomba) e as indicações de Mulher-Maravilha. Nesse ano, a Marvel Studios sequer foi à Comic-Con e ficou restrita a Fox com Deadpool, X-Men: Apocalypse e o fatídico Quarteto Fantástico. Ou seja, com exceção de Deadpool, só derrotas e a Vigília estava lá.

A Liga da Justiça em action-figures da Comic-Con

Mas estamos em 2017 e a concorrência dessa vez não foi tão desleal. O painel da DC/Warner trouxe toda a Liga da Justiça (exceto Henry Cavill, acho correto guardar surpresas) e um novo trailer. Melhor que os anteriores, mais ainda faltando alguma coisa. Notadamente está mais colorido e mais bem humorado, algumas correções parecem ter sido bem notadas pelos produtores e agora com a mão do nosso conhecido Joss Whedon. O material empolgou e ainda contou com cenas de Aquaman, exclusivas para os fãs do Hall H. E isso, pelo menos até agora, não vazou. Ponto para a DC, que de quebra divulgou a continuação de Mulher-Maravilha, a produção de Shazam e Flash com o arco Flashpoint (vem muita piração por aí!).

Já a Marvel conseguiu fazer mais barulho. Trouxe informações mais quentes e surpreendentes divulgações de novos atores. Entre eles, aqueles tapinhas de luva levinhos, que a DC já tinha feito trazendo J.K. Simmons (antigo JJ Jameson e agora Comissário Gordon). A resposta da Marvel já tinha sido à altura com Michael Keaton (excelente como Abutre) e agora repetiu a dose com Laurence Fishburne (ex-Perry White da DC) como Golias do próximo filme Homem-Formiga e a Vespa, e também com Michelle Pfeiffer (ex-Mulher Gato da DC) agora como a Vespa original (Janet Van Dyne). Isso já é bastante coisa. Não bastasse isso, ela veio com mais coisas prontas. O pessoal viu cenas inéditas e todo o elenco de Pantera Negra. O painel contou com o estrelado time de Thor: Ragnarok, com o excelente novo trailer do filme, além de artes conceituais de Capitã Marvel (o filme vai se passar nos anos 90 e terá Nick Fury) e a expressiva confirmação dos Skrulls! A cereja no bolo foi o trailer de Vingadores: Guerra Infinita. Muitas cabeças explodindo, pois o aquece disso tudo já havia ocorrido uma semana antes na D23 Expo.

Thor: Ragnarok – o filme que já queremos ver

É aqui que começa a treta. Tradicionalmente o público do Hall H respeita muito o material exclusivo passado por lá. E a segurança é frenética. A todo momento tem alguém no seu ombro conferindo se há algum dispositivo ligado. O cuidado é muito grande. E pela primeira vez, temos um trailer vazado quase que na íntegra. O hype era tão grande, que o pessoal não se conteve. Só eu vi o trailer de uns três ângulos diferentes perdidos nas internets da vida. Claro, tudo muito tosco. Até agora (dia 24 de julho) a Marvel se conteve e não liberou o trailer. Faz bem. As pessoas que se sacrificam e vão até o evento merecem todo o carinho e o gostinho de ter um material exclusivo é uma vitória (falei disso no ano passado também). Em 2015, fiquei mais de 24 horas numa fila para o Hall H e há relatos de que isso quase duplicou nesse ano, um bom motivo para os organizadores reverem suas possibilidades e limites de ingressos. E se eu estivesse na posição da Marvel, agora que já vazou toscamente não liberaria o trailer mesmo. Se as pessoas querem compartilhar e consumir tosquices, que fiquem com elas. Resta saber se isto vai abalar a confiança dos grandes estúdios em relação ao próprio evento. Quem sabe nas próximas oportunidades os estúdios não se preocupem tanto em levar novidades pra lá? Nas rápidas experiências da CCXP no Brasil, houve uma postura muito legal por parte de nós brasileiros. Tanto em São Paulo quanto em Recife, as pessoas respeitaram demais, mostrando que sim, podemos ter aqui muita coisa tão boa quanto em San Diego. No final das contas, é o respeito que conta e o fanatismo só mancha a categoria.

Obs.: Muitos sites fizeram questão de publicar a pirataria. A Vigília Nerd é totalmente contra esse tipo de clickbait e preza pelo respeito às obras originais.