Os erros de Esquadrão Suicida

Baixando a poeira da estreia de Esquadrão Suicida, que apesar das críticas pesadas está despontando nas bilheterias – fez a melhor estreia da semana no Brasil e a melhor estreia de agosto nos Estados Unidos – resolvemos apontar alguns dos motivos que fizeram o filme não conquistar os tão esperados elogios. A comparação com a Marvel sempre será pesada e nos faz pensar quando a parceria DC e Warner vai nos surpreender nas telonas.

Nota da Vigília: nossa aposta forte é com o filme da Mulher Maravilha. Falamos do trailer aqui!

Apesar de Esquadrão Suicida valer o ingresso, o peso de personagens como Coringa e Arlequina, e a aguardada ponta de Ben Aflleck e consequente aparição do Batman, não seguram um filme tão bom quanto Deadpool e Capitão América: Guerra Civil (eleito o melhor do primeiro semestre de 2016 pela Vigília). A única vantagem no confronto entre filmes de super-heróis de 2016 é contra o precursor Batman vs. Superman, que só se justifica na versão estendida (e olhe lá).

Confira os erros que elencamos:

Edição apressada e correção de rumos – parece que os estúdios Warner e os produtores envolvidos estão realmente preocupados com os números. O filme precisou de algumas refilmagens para garantir mais cor e humor – culpa do sucesso de Deadpool e o flop de BvsS – o que talvez tenha mudado o foco inicial do diretor David Ayer, que acabou repetindo Zack Snyder. O resultado é uma edição apressada, introdução de personagens com recursos de fichas técnicas nas telas e pouco envolvimento do público com os vilões.

Bandidos não são malvados – o plot do filme é apresentar uma galeria dos piores vilões do Batman para “salvar o mundo”. O plano e o convencimento para que o governo reúna esses malucos está bem resolvido, principalmente com a retomada da premissa de que possa aparecer mais um “marciano” (tipo Superman) que tem chance de acabar com o planeta. Embora fique estabelecido que eles realmente podem morrer caso se rebelem ao plano, falta mostrar um pouco mais de insanidade. Nem o mais monstruoso deles dá medo.

Personagens não aproveitados – Capitão Bumerangue e Crocodilo, por mais que estejam no filme, parecem sub-aproveitados. Bumerangue tem fascínio por Unicórnios? Tá e daí? Ele caça Pokémon também? Crocodilo é forte? Só vemos isso na finaleira. Katana veio de onde? Do que se alimenta? Enfim, é um tópico só com perguntas.

O Coringa – Por fim, a expectativa maior era pelo personagem de Jared Leto. E quando um ator vem ao público dizer que tinha feito muito mais cenas do que as apresentadas, já sabemos que é uma predisposição para se desculpar de alguma coisa. Junte a isso um dos atores/estrelas expoentes de sua geração e ótimos trailers que fizeram de Esquadrão Suicida. Queríamos saber quem era o torturado na cena do eletrochoque? Sim, mas a cena era melhor no trailer. Queríamos ver uma interação dele com o Homem-Morcego? Hmmm, pois é. Queríamos ver ele com a Arlequina? Pois ele mais parece incomodar do que ter realmente uma química com a despirocada vilã. E por fim, ele nem nos emociona fazendo o resgate final. Faltou alguma coisa.

Ainda aguardamos a próxima chance da DC/Warner nos convencer. Potencial existe, mas talvez tenham que se desgarrar um pouco do formulismo e parar de copiar as soluções da Marvel. Inclusive nas trilhas sonoras. O consolo é que Esquadrão Suicida é melhor que Batman Vs Superman.

Veredito da Vigília