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O Homem Cordial, de Iberê Carvalho, vai ser exibido em Festival na Estônia

Paulo Miklos sendo um rockeiro dos anos 1980. Já vimos isso antes..

Depois da estreia internacional na Mostra Competitiva do Cairo International Film Festival, será a vez da Estônia conhecer o novo filme do diretor Iberê Camargo. O Homem Cordial foi selecionado para a mostra Current Waves do 23o Tallinn Black Nights Film Festival. O PÖFF é o único festival de cinema categoria A no norte da Europa, compartilhando esse status com os principais festivais do mundo, incluindo Berlim, Cannes, Veneza, Karlovy Vary, Varsóvia e San Sebastian. Com público estimado de mais de 80 mil pessoas, o PÖFF é o maior evento cultural anual da Estônia.

O Homem Cordial é um thriller psicológico, no qual o afloramento de uma onda de ódio e intolerância é visto a partir do ponto de vista de Aurélio (Miklos), um homem de 60 anos, branco, rico e heterossexual, que de sua posição social privilegiada se vê perdido e impotente, sem saber como reagir a essa realidade que se apresenta.

A ideia inicial para o roteiro surgiu em 2015, quando o diretor começou a se incomodar com a crescente onda de polarização no país. A partir de pesquisas sobre o tema e se deparou com o vídeo de um garoto de dez anos sendo linchado numa manifestação e a reação de ódio das pessoas o chocou. “Foi daí que surgiu a premissa inicial do argumento de O Homem Cordial”, recorda Carvalho. Apesar de terem se passado quatro anos, o tema do longa é mais atual do que nunca: “estamos vivendo um momento tão estranho e revelador de nossa sociedade que é impossível qualquer ficção ter a pretensão de acompanhar a realidade”, completa.

A cidade de São Paulo, onde O Homem Cordial foi rodado, também é uma personagem do filme. A opção do diretor pela capital foi devido ao cenário urbano de uma grande metrópole que simboliza o desenvolvimento. Incorporá-la ao longa pelo olhar ‘estrangeiro’ foi um desafio, “mas conseguimos trazer um olhar fresco da cidade”, finaliza.

O longa tem fotografia de Pablo Baião, vencedor do Kikito de Melhor Fotografia no Festival de Gramado de 2018 por Simonal, e Maíra Carvalho, ganhadora do Kikito de Melhor Direção de Arte em 2015 por O Último Cine Drive-in, assina a arte.

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