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Supergirl: Milly Alcock brilha, mas adaptação não atinge seu potencial

Depois de 42 anos, a Supergirl volta a ter um filme para chamar de seu. Estreia nessa semana em todo o mundo “Supergirl”, longa que dá continuidade ao novo DCverso, iniciado “oficialmente” em 2025 com o seu primo Superman (James Gunn). A novidade agora é centralizada na personagem, interpretada por Milly Alcock (A Casa do Dragão), e foca numa aventura espacial cheia de ação, cores e bons momentos. No entanto, deixa escapar um potencial incrível ao se deixar levar por soluções fáceis e entregar o clássico “mais do mesmo”. Trilha sonora, roteiro, montagem e construções e motivações de personagens. Em tudo Supergirl acaba devendo um pouco. E a soma disso tudo acaba não sendo tão favorável.

Dessa vez, a trama é comandada por Craig Gillespie, do excelente “Eu, Tonya (2017)” e do estiloso Cruella (2021), com roteiro assinado por Ana Nogueira. Porém, Gillespie, que acertou a mão nos projetos anteriores (e como showrunner da série Pam & Tommy), parece (aqui) mais preocupado em ser um diretor contratado do que propriamente colocar suas digitais no Universo DC. Compare “Eu, Tonya” com Supergirl, que você perceberá o tamanho da diferença.

Tentando caminhar com suas próprias pernas (ou voar, por si mesma), Kara Zor-El (Milly Alcock) é apresentada como a kryptoniana outsider. Ao contrário do primo que é o escoteirão azul, ela é a jovem que está tentando se encaixar no mundo (ou melhor, no universo), depois de perder seu planeta natal, pai e mãe. Portanto, sua apresentação nesta nova versão carrega nos estereótipos de garota problema, que sai para beber para tentar se resolver. Mas, como veremos mais adiante, ela tem uma origem boa. Ela precisa ser boa. Mantra que vai guiá-la nos momentos decisivos (será mesmo?) da saga. Ah, e ela tem o Krypto, bengala emocional que já é usada pela segunda vez por James Gunn e companhia.

O longa tenta replicar o estilo de aventura espacial que Gunn (presidente da DC Studios) tão bem nos entregou quando ainda estava na Marvel Studios (vide trilogia Guardiões da Galáxia). Em certa dose, a ideia funciona, mas Supergirl acaba carregando e exagerando na dose. Além disso, o longa carece de um vilão melhor, visto que Krem (Matthias Schoenaerts) é basicamente o cara mau. E ponto. Ele é o estopim o que faz a pequena Ruthye (Eve Ridley) buscar a ajuda da heroína para vingar a morte de sua família. O plot da vingança, mas agora, terceirizada (e não podemos esquecer dele, Krypto).

Lobo e ação desenfreada

Supergirl e Krypto

A partir daí, mesmo com a discordância inicial por parte da heroína, acompanhamos uma movimentada aventura de um ponto a outro da(s) galáxia(s) da DC Comics, cujos nomes de planetas ainda nos reservam algumas homenagens. E esse movimento todo vai nos render bons momentos. Milly Alcock brilha no papel principal e o filme é todo dela, mesmo que um aleatório Lobo (Jason Momoa) seja jogado como qualquer coisa no meio da trama. E com ele teremos inúmeras cenas com ação desenfreada, lutas mal editadas (não sabemos o que realmente está acontecendo e onde estamos) e um exagero no número de oportunidades de mostrar o quão aleatório pode ser o poder de um kryptoniano. Recurso clássico que vemos aos montes em superseres que podem resolver todos os problemas facilmente. Para dar alguma graça ou peso pra tudo, eles precisam perder seus dons. E aqui temos várias possibilidades (a cor do sol, kryptonita, envenenamento…). O problema é que nem sempre essas possibilidades são usadas de uma maneira decente, tamanha a recorrência da bengala. Elas existem para frear a fúria da Supergirl. Soluções preguiçosas para um roteiro que prometia mais.

Craig Gillespie e Jason Momoa
Craig Gillespie joga Lobo (Jason Momoa) no meio do bolo todo.

Na trilha sonora Supergirl também derrapa. Todo o potencial de músicas ouvidas nos trailers não se comprovam durante o filme, que também esquece a trilha clássica de John Williams. Alguém pode responder qual é o problema de usá-la em sua essência? Com isso, o grande ápice da luta final acaba morrendo em uma versão modorrenta em voz e violão de uma música que foi feita originalmente como um punk rock. Qual é o problema de usar a música original? Por fim, mas não menos importante, todo o mote que o filme tentou construir na heroína, de que ela é boa, acaba esvaindo em meio às suas últimas decisões.

A pá de cal fica ainda na cena final com a participação de David Corenswet, quando basicamente esquecem de dar a última fala para a nossa protagonista. Supergirl peca pelo acabamento geral, apresentando um formulismo preguiçoso e desperdiçando uma ótima personagem que reluz fortemente em Milly Alcock.

Veredito da Vigilia