Festival de Cinema

54º Festival de Cinema de Gramado anuncia os longas brasileiros de ficção e curtas gaúchos

O Festival de Cinema de Gramado divulgou nesta quarta-feira, 8 de julho, os seis longas-metragens brasileiros de ficção da mostra competitiva de sua 54ª edição: “Chorão: Só os Loucos Sabem” (SP), de Hugo Prata e Felipe Novaes; “Feito Pipa” (CE), de Allan Deberton; “Justino – Nos Bastidores do Reino” (DF), de José Eduardo Belmonte; “Leite em Pó” (MG/SP/RN), de Carlos Segundo; “Nosso Segredo” (MG), de Grace Passô; e “Pele de Rinoceronte” (RJ), de Marcello Ludwig Maia. Realizado pela Gramadotur, autarquia municipal de turismo e cultura, o mais tradicional festival de cinema do Brasil este ano acontece entre 12 e 22 de agosto, com abertura oficial no dia 14 de agosto, com exibição hors-concours do longa-metragem “Antártida”, de Bruno Safadi.

A curadoria de longas-metragens brasileiros e documentários é assinada pelas atrizes Ana Flavia Cavalcanti e Camila Morgado e pelo jornalista, professor e crítico de cinema Marcos Santuario, e a seleção sublinha a força de Gramado como a primeira janela de exibição dos mais recentes títulos da cinematografia brasileira. Todos os filmes são inéditos no Brasil e três deles marcam a estreia de seus diretores em longas de ficção: Grace Passô, Carlos Segundo e Marcello Ludwig Maia.

“Escolher filmes nunca foi uma tarefa de consenso. É um gesto de confiança no cinema, mas também um exercício de escuta do presente. Cada edição de um festival é uma fotografia do tempo em que vivemos e, ao mesmo tempo, uma aposta no tempo que ainda está por vir. Foi com esse espírito que construímos a seleção da 54ª edição do Festival de Cinema de Gramado. Todos os títulos apresentados nesta edição chegam ao público brasileiro pela primeira vez. Mais que estreias, são encontros inaugurais. Cada sessão carrega a emoção do desconhecido, a possibilidade da surpresa e o privilégio de assistir a filmes que ainda não foram apropriados pelo olhar coletivo. Gramado continua sendo esse lugar raro onde o cinema nasce diante da plateia. Onde os filmes vêm ‘para nascer e não para morrer’”, destacam os curadores.

Dirigido por Hugo Prata e Felipe Novaes, “Chorão: Só os Loucos Sabem” mergulha na vida do rapper e cantor que marcou gerações na banda Charlie Brown Jr. Em Santos, no litoral paulista, ele conhece Graziela e, do encontro entre amor, rebeldia e vulnerabilidade, nasceram músicas que marcaram gerações. Com José Loreto e Nanda Marques, o filme é produzido pela Bravura Cinematográfica em coprodução com a Globo Filmes.

Em “Feito Pipa”, de Allan Deberton, o jovem Gugu sonha em se tornar um grande jogador de futebol. Criado pela avó, ele teme voltar a ter que morar com o pai, com quem tem uma relação complicada, e fará de tudo para evitar que isso aconteça. Com Lázaro Ramos, Yuri Gomes e Teca Pereira, o longa-metragem é uma produção da Deberton Filmes e da Biônica Filmes.

O Rio de Janeiro da década de 1980 é o cenário de “Justino – Nos Bastidores do Reino”, história em que o protagonista encontra em uma poderosa igreja neopentecostal a chance de sair da pobreza. Em sua rápida ascensão e no sucesso como pastor estão desejos reprimidos, segredos e ambição. Depois de 15 anos, Justino quer acertar as contas com o passado. Dirigido por José Eduardo Belmonte, o filme traz no elenco nomes como Christian Malheiros, Antonio Pitanga, Caio Blat e Onna Silva. A produção é da Mercado Filmes.

Com direção de Carlos Segundo e produção de O Sopro do Tempo, Vitrine Filmes e Les Valseurs, “Leite em Pó” apresenta a história de um músico obcecado por rock que vê sua vida desabar após uma perda familiar. Sozinho e sem dinheiro, ele decide aceitar um trabalho que o força a circular pela cidade, encontrando diferentes pessoas que desafiam sua visão de mundo. Entre memórias incômodas e os novos laços, ele inicia uma jornada transformadora para enfrentar seus fantasmas. O elenco apresenta Vinicius de Oliveira, Antonio Pitanga, Zezita Matos e Rejane Faria.

Em “Nosso Segredo”, uma família tenta reconstruir a rotina após uma perda recente. Enquanto cada um foge do luto à sua maneira, o filho mais jovem guarda um segredo que pode ajudá-los a enfrentar a dor e encontrar um novo caminho. Com Robert Frank, Efraim Santos, Jéssica Gaspar, Flip e Ju Colombo, o filme tem direção de Grace Passô. A Entre Filmes assina a produção do longa-metragem, em coprodução com a Globo Filmes.

Ambientado na década de 1970, “Pele de Rinoceronte”, de Marcello Ludwig Maia, traz Débora Falabella no papel de uma repórter de um jornal popular que, ao lado de uma advogada criminalista, vê sua vida mudar após um homicídio que chocou o Brasil e marcou o início do debate sobre o feminicídio. O drama, que também apresenta Naruna Costa, Irandhir Santos, Augusto Madeira, Elli Fêrreira e Daniel Rangel, é produzido pela República Pureza Filmes, em coprodução com o Canal Brasil e Telecine.

FILME DE ABERTURA
Marina Ruy Barbosa em “Antártida”. Crédito: Fabio Rocha

PRÊMIO ASSEMBLEIA LEGISLATIVA

Tradicional janela de exibição do cinema gaúcho, o Prêmio Assembleia Legislativa apresenta 18 títulos que formam um mosaico plural e descentralizado para uma mostra tradicionalmente reconhecida por revelar novos talentos da produção audiovisual local. 

O famoso “Gauchão”, nome carinhosamente adotado pelo público para se referir à mostra, é realizado em parceria com a Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul, distribuindo troféus e prêmios em dinheiro para os vencedores de 12 categorias. As exibições acontecem nos dias 15 e 16 de agosto, às 13h, no Palácio dos Festivais, com a cerimônia de premiação marcada também para o dia 16, a partir das 20h.

Confira os filmes selecionados:

“O Acumulador de Memórias” (Pelotas), de Camisla

“Banho Maria” (Porto Alegre), de Gabriel Faccini

“Batidão de Botas” (Pelotas), de Camila Santos (Camisla), Daniel Galuppo, Esther Costa, Maria Eduarda Bandeira e Stella Mahle

“Braço Forte” (Pelotas), de Rubens Fabricio Anzolin e João Fernando Chagas

“Claudete” (Santa Cruz do Sul), de Gabriela Kopp

“Coisa Ruim” (Porto Alegre), de Lucas Tergolina

“Drunken Car” (Garibaldi), de Brunella Martina

“Elisete Tem que Casar!” (Caxias do Sul), de Gaby Buffon

“Estátuas Também Morrem?” (Brasil/Hungria/Portugal/Bélgica), de Thais Fernandes

“Grão” (Rio Grande), de Gianluca Cozza e Leonardo da Rosa

“Manjericão” (Xangri-Lá), de Raphaela Serafim Maciel e Eric Pauli

“Mizandrika” (Pelotas), de Kali Breder

“Procura-se Ator” (Imbé/Tramandaí), de Airton Tomazzoni e Laura Lautert

“Raidinalha” (Porto Alegre), de Marco Arruda

“O Retorno” (Porto Alegre), de Cesar Meneghetti e Mario Gianni

“Terra Bruta” (Canoas), de Allan Riggs e Guilherme Suman

“A Vaidade é a Última Que Morre” (Porto Alegre), de Natália Zambon

“O Véu” (Porto Alegre), de Gabriel Motta