O tom de realidade dramática retornou ao Festival de Cinema de Gramado com o filme “Ferrugem”, de Aly Muritiba, na noite de exibições de terça-feira, dia 21 de agosto. Com uma história voltada à realidade do público jovem, o longa inicia de forma leve, mas logo entra em uma profundidade e densidade dignas de te deixar com um nó na garganta. E mostra com crueza e um impacto surpreendente um tema cada vez mais recorrente na sociedade atual. Antes de Gramado, Ferrugem também passou pelo festival de Sundance este ano.

Com muito espaço entre os diálogos, deixando ações e o silêncio falar mais alto, Muritiba costura uma história que pode lembrar 13 Reasons Why, mas com muito mais aspectos envolvidos. Tudo porque fotos íntimas de Tati vazam para todo o colégio, levando a garota a situações extremas. Nesse aspecto, o filme é dividido em dois atos, mostrando os dois lados (ou até mais) da história e de seus personagens. Mas sempre relatando também o quanto as consequências de atos impensados podem afetar não só a vida de uma pessoa, mas também de uma família e uma comunidade.
Ferrugem vai entregando os pontos cruzados da história aos poucos, buscando muito apoio em cenários, ações, som e a falta dele. Também aproveita para colocar algumas subtramas que fogem ao aspecto do mundo dos jovens e cria laços também com a visão dos pais, que muitas vezes acham que passar a mão ou superproteger os filhos pode ser a melhor solução. Na maioria das vezes, não é. Cada um precisa saber das consequências de seus atos, não importa a idade.
Ao final dos 100 minutos de produção, podemos perceber que há muitas possibilidades em meio ao cinema nacional. E como o próprio diretor falou antes da exibição, é necessário uma reformulação nas formas de incentivo, hoje, cada vez mais escassas.
Ainda que com dificuldades, algumas boas produções nacionais conseguem chegar ao circuito tradicional de cinemas. Ferrugem é um deles, e estreia dia 30 de agosto.