As cores de Um Começo, a HQ de Wesley Samp
Uma das grandes experiências que alguém pode ter no mundo das histórias em quadrinhos no Brasil é ficar em constante contato com uma diversidade de autores, realidades, narrativas, traços, cores e talentos. E tudo isso só salienta a capacidade dos nossos criadores do Oiapoque ao Chuí. Nessa leva, conheci por meio de um financiamento coletivo na internet o projeto Um Começo, de Wesley Samp. Bastou dar uma notícia para recebermos no QG da Vigília a revista impressa e cheia de capricho. Uma grata surpresa.

A narrativa é de fácil reconhecimento para todos que já foram crianças. Afinal, quem nunca teve um colega novo na escola, um vizinho que se mudou para a sua rua há pouco tempo e uma turma clássica que convive quase sempre junto? Nessa levada, Wes conta a sua chegada na cidade e seus primeiros passos na nova escola e vizinhança. Mas tudo é guiado a partir do olhar de Paulo, o garoto que pulava a cerca para ler embaixo de uma árvore no pátio da casa ao lado, antes desabitada, e que agora “teria que ser abandonada” pela chegada dos novos proprietários (Wes e sua família). Querendo se enturmar, Wes começa a andar com Paulo, que se vê sem ter pra onde fugir. E nessas de querer ser solitário, acaba sendo rude com o novo amigo. E o desapontamento de Wes vai gerar uma série de consequências envolvendo duas turmas bem diferentes da escola.
“Um Começo” é uma pequena celebração do autor, como ele mesmo explica na edição. Com a satisfação de quem vê um filho nascer, a sua HQ transparece nostalgia. E esse sentimento e desejo de regresso agora de certa forma está imortalizado em uma história infanto-juvenil cheia de demonstrações de amizade. E lições de amizades e (re)começos são sempre bem-vindas.
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