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A Vizinha da Mulher na Janela: série com Kristen Bell fisga pela dúvida em busca do assassino

The Woman in the House Across the Street from the Girl in the Window. Kristen Bell as Anna in episode 101 of The Woman in the House Across the Street from the Girl in the Window. Cr. Colleen E. Hayes/Netflix © 2021

Agatha Christie se notabilizou pelos seus contos cheios de mistérios e que nos colocam a dúvida frequente de “quem é o assassino?”. Nesta mesma linha, a Netflix entrega em “A Vizinha da Mulher da Janela” essa ideia, colocando a estrela Kristen Bell, aqui no papel de Anna, no centro de uma trama que vai justamente te colocar a dúvida na cabeça a cada episódio. Apesar da premissa ser parecida, a execução, evidentemente é diferente, e, ao mesmo tempo que é envolvente, pode te fazer ao final de tudo de dar boas risadas, pois nesta nova série, a zoeira não tem limites.

Não confunda as coisas. A Vizinha da Mulher na Janela não é uma comédia. Ou será que é? Ou pelo menos não se apresenta de forma tão caricata assim. Ela vem com um drama, travestido de sátira ao suspense psicológico com o qual brinca em seu título. Desde o início, a ideia constrói um mapa de crime que vai transitando o carimbo de assassino por vários personagens (com direito a vizinhos e um jardineiro).

Tudo começa quando Anna recebe novos vizinhos. Ela é uma mulher traumatizada, que vive olhando pela janela e tomando uma garrafa de vinho inteira a cada servida em suas taças (aliás, gostaria de ter uma taça daquelas). Em seu passado, um casamento que acabou quando a filha morreu – de uma forma bem bizarra e porque não, única e peculiar (!). Mas não vou dar esse spoiler aqui. E com seus novos vizinhos, surge o interesse em um pai solo bonitão (Tom Riley) e que tem uma filha que regula com a sua, já falecida. Tudo parece bem até surgir a namorada do bonitão. Mas por pouco tempo. Isso porque ela é o cadáver que vai fazer a roda andar durante todos os oito episódios.

A Vizinha na Mulher na Janela da Netflix
A Vizinha da Mulher na Janela tem Kristen Bell como Anna, uma mulher com PLUVIOFOBIA!

Colocadas as peças no tabuleiro, o roteiro vai brincar a todo tempo, e às vezes propositalmente, da forma mais GALHOFEIRA possível. Anna bebe demais, e com isso, é uma protagonista pouco confiável, se colocando também como potencial assassina. O lado bom de tudo isso é que a série é facilmente ‘maratonável’. Cada episódio tem de 20 a 30 minutos de duração e o mistério que ela constrói é claramente formulado para ser desvendado em seu final. Até lá, o roteiro vai brincar (novamente, de forma propositalmente sem noção) com as suas dúvidas.

Os melhores momentos de “A Vizinha da Mulher na Janela” são os que podemos visivelmente parar e pontuar “ah eles não vão fazer isso?”. Pois em várias vezes você vai se fazer essa pergunta. Nesses casos, se você abraçar a galhofa, vai se divertir. Agora se levar tudo muito a sério… bom, aí sim a série será uma grande decepção para você. Ao mesmo tempo que se ampara em ideias clássicas, e já atualizadas em “Assassinato no Expresso Oriente” e “Entre Facas e Segredos”, aqui estamos pendendo muito mais para um “Disque Amiga Para Matar”, com menos carisma, do que propriamente um produto lá muito preocupado com seu status.

Tom Riley é o vizinho Neil, com a filha Emma (Samsara Leela Yett). Quem aí é mais suspeito?

A revelação e o desfecho da (primeira temporada?) é digno de uma paródia, com direito a uma participação pra lá de especial. Absurda e até um pouco violenta, a produção na verdade surpreende pela sua total falta de vergonha na cara. E eu estou até agora me perguntando se a ideia foi genial ou uma completa viagem de vinho misturada com aspirinas, tais quais as sugeridas por Anna desde os primeiros segundos de série. Kristen Bell além de protagonista é produtora executiva ao lado de Will Ferrell, Jessica Elbaum e Brittney Segal.

Veredito da Vigilia
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