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Happy Hour: Verdades e Consequências | Crítica

Tem filme nacional novo na área. Estreia em (quase) todo o Brasil no dia 28 de março “Happy Hour: Verdades e Consequências”. Com uma pegada de tragicomédia argentina, a produção é uma parceria entre os dois países, dirigida pelo brasileiro Eduardo Albergaria e protagonizado pelo argentino Pablo Echarri. O longa também serve como uma comédia romântica. Com pitadas leves de erotismo, ele traz a tona como relacionamentos levados à moda antiga podem ser afetados por desejos e influências de relacionamentos mais modernos, colocando em xeque vários tabus da relação homem x mulher. Completa o elenco a excelente e sempre jovem Letícia Sabatella.

A trama toda gira em torno de Horacio (Pablo Echarri), um argentino radicado no Brasil há 15 anos em função de Vera (Letícia Sabatella), sua grande amada. Por causa dela ele mudou de vida, trocou Buenos Aires pelo Rio de Janeiro e teve um filho. Para ficar perto da paixão pelos livros, virou professor universitário. Tudo parecia normal na vida dele, até que um acidente o transformou em um herói improvável, fato que passou a impactar sua privacidade das mais diferentes formas. Parece simples, mas tudo fica ainda mais enrolado quando uma sedutora aluna lhe propõe um relacionamento mais aberto, e sua esposa, uma reconhecida deputada, lança candidatura à prefeitura da cidade maravilhosa.

Colocado em diversos conflitos internos, Horacio quer jogar limpo, e propõe à própria esposa que eles possam sim ter um relacionamento aberto. “Sempre lhe falei a verdade e agora decidi obedecer meus desejos”, relata o argentino em um misto de loucura e ingenuidade. É claro, para uma recém candidata, uma ruptura no casamento pode ser bem prejudicial. Ainda mais que ela tem ao seu redor um ‘tracking’ político afeito de homens brancos e héteros. Clássicos membros da família tradicional brasileira. É uma mistura que logo vemos que não vai dar muito certo.

Um acidente transforma o pacato professor em um herói.

Com todos esses ingredientes colocados, até parece que teremos pela frente uma série interessante de obstáculos para passar, não é mesmo? Pois é, mas é aí que o filme se perde na proposta. Com vários suspiros poéticos, vemos pontos interligados demais, sendo que nem todos acrescentam muito à trama. Fica também evidente uma montagem posterior, com diversas cenas envolvendo a candidatura de Vera. Nessas cenas ela está sempre de cabelos curtos, e elas são todas intercaladas com cenas entre ela e Horacio, mas com a atriz ainda de cabelos compridos. Ao que tudo indica, regravações foram feitas para enxertar trechos que trabalham mais as situações políticas da personagem.

Apesar de pouco acrescentar, a parte política sempre traz algumas piadas clássicas e certeiras

A verdade é que Happy Hour: Verdades e Consequências tem seus momentos divertidos e bonitos. Tem uma boa produção, cores marcantes e uma fotografia bem agradável. Vale ficar atento à cobertura da imprensa (tanto na campanha política quanto na trama do “bandido aranha”) que trazem as cenas mais engraçadas. Mas apesar disso tudo, o filme se perde ao colocar uma série de elementos sem um desfecho tão impactante. O que poderia ser um ‘gran finale’ apenas deixa tudo no ar, apelando para a beleza das atrizes, principalmente de Letícia Sabatella.

Nas capitais Porto Alegre e Belo Horizonte, o longa estreia apenas dia 4 de abril.

Veredito da Vigilia


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