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The Umbrella Academy: veredito da terceira temporada!

The Umbrella Academy. (L to R) Justin H. Min as Ben Hargreeves, Cazzie David as Jayme, Jake Epstein as Alphonso, Justin Cornwell as Marcus, Britne Oldford as Fei, Genesis Rodriguez as Sloane in episode 301 of The Umbrella Academy. Cr. Courtesy of Netflix © 2022

Depois de duas grandes temporadas, The Umbrella Academy retorna com o plot que já nos acostumamos: os heróis errantes (e órfãos) terão que evitar o apocalipse. Sim, pela terceira vez. E o que pode ser o grande charme da série, acabou sendo apenas uma repetição. Temos é claro, nossos grandes momentos, mas entre a temporada de estreia e a segunda, a terceira temporada de The Umbrella Academy realmente ficou devendo. Mas, calma lá. Se você é fã dos personagens dos quadrinhos de Gerard Way e Gabriel Bá, não há motivos para queixas. Está tudo novamente no lugar e se você já tem uma memória mais distante dos capítulos passados, a série vai funcionar perfeitamente.

https://youtu.be/uoaC6EXnMOM

Vale destacar inicialmente que tudo que caracteriza esses personagens e sua adaptação para as telinhas está impecável. Continuamos com as brigas incessantes de uma família de heróis que não consegue se acertar, diálogos interessantes, videoclipes com trilhas sonoras marcantes e seus desafios apocalípticos. O problema é que desta vez, tudo parece muito com uma figurinha repetida. E se perdemos o impacto da surpresa da primeira temporada e o capricho dos grandes planos sequências da segunda, realmente posso afirmar que faltou aquele “algo a mais”. Tanto na história quanto nas técnicas narrativas do audiovisual.

The Umbrella Academy e a história da terceira temporada

Como falei, temos o gostinho de prato repetido. Tal qual nos finais das últimas temporadas, voltamos com o grupo para uma nova linha do tempo. E nela, seguimos o mesmo objetivo das histórias anteriores: corrigir os estragos causados no universo como conhecemos e evitar o fim do mundo. A diferença é que agora Luther (Tom Hopper), Diego (David Castañeda), Allison (Emmy Raver-Lampman), Klaus (Robert Sheehan)  e Número Cinco (Aidan Gallagher), agora juntos de Lila (Rita Arya), precisam confrontar a Academia Sparrow. Basicamente um super-grupo como eles, mas, que, digamos assim, deu certo e é reconhecido pelo patriarca Reginald Hargreeves (Colm Feore). E claro, tudo isso vai despertar a ciumeira e o conflito com os Umbrellas, o grupo de heróis mais carente de atenção e mais mal-resolvido de todo o multiverso.

Elliot Page agora é Vyktor
The Umbrella Academy: Elliot Page agora é Viktor Hargreeves. Emmy Raver-Lampman entrega uma Allison muito mais amargurada

É claro, a treta inicial traz bons confrontos, algumas pirações e videoclipes, e resgata tramas estabelecidas na segunda temporada. A costura na verdade é bem interessante, trazendo evolução (quem diria não é mesmo?) em personagens como Vanya e Allison. Importante destacar aqui: assim como na vida real, onde Ellen Page fez a transição para Elliot Page, aqui na série também temos sua mudança de Vanya para Viktor. E tudo é feito de forma muito orgânica e respeitosa, trazendo um bom ponto de discussão para nossas vidas. Assim como seus irmãos passam a respeitá-lo pela escolha, tão logo vemos que uma simples opção pessoal não deveria afetar tanto seu entorno. Ponto para a série. Tão logo isso acontece, ninguém mais parece ter qualquer comportamento depreciativo à Elliot/Viktor, e assim deveria ser na nossa sociedade também.

Já Allison, assim como Vanya, que agora é Vyktor, sofre demais com a carga vivida durante a segunda temporada. Ela passa a ser um dos grandes centros das atenções, afinal, vamos vê-la agindo como nunca imaginamos antes. É funcional e completamente pertinente. Mais um ponto alto da trama. Outro aspecto plenamente positivo é a divisão de tela de cada personagem, não deixando ninguém para trás ou sem importância.

Mas depois…

The Umbrella Academy: Genesis Rodriguez é Sloane, Cazzie David é Jayme, Justin H. Min é Ben Hargreeves, Christopher Jake Epstein é Alphonso, Britne Oldford é Fei

Mas depois dos pontos altos, voltamos à mesmice que permeia a terceira temporada de The Umbrella Academy na Netflix. O fato de termos sempre o mesmo plot que é adaptado para diferentes épocas ou realidades parece cansar com o andar da carruagem. Afinal, já vimos tudo aquilo antes. E como destaquei, não temos o primor da direção que vários episódios tiveram na segunda temporada. E como agora temos como cenário somente um hotel (ou basicamente isso), até mesmo esse aspecto que normalmente traz um respiro para a saga foi perdido. 

É fácil entender o porquê de alguém não gostar da série a partir dessa premissa de “mesma história com diferentes ambientes”. Principalmente se você optar por maratonar. Temos 10 episódios que oscilam entre 40 e 50 minutos, e, é igualmente fácil perceber quando a história está apenas optando por nos encher com cenas que, apesar de bonitas e musicalmente orquestradas, não nos levam para um grande acréscimo na história.

Depois de consolidada e ter um certo apelo global, creio que chegou a hora de The Umbrella Academy tentar se reinventar, se é que isso é possível. Apesar de termos um elenco muito competente, figurino, efeitos sonoros e cenografias quase que impecáveis, a produção parece ter estacionado em uma zona de conforto. Para alguns, a figurinha repetida pode ser também esta zona de conforto, mas para outros, pode significar a perda de retenção e atenção para temporadas futuras. Afinal, com tantas séries e produções enchendo os catálogos dos canais de streaming, pra quê ver algo que já não está evoluindo? E já que estamos sempre falando de viagem no tempo em The Umbrella Academy, vamos ver o que o futuro nos aguarda…

Veredito da Vigilia
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