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Quarta temporada confirma: Cobra Kai ainda tem muito a mostrar

Cobra Kai. (L to R) Ralph Macchio as Daniel LaRusso, William Zabka as Johnny Lawrence in Cobra Kai. Cr. Courtesy of Netflix © 2021

Chego ao fim do ano fazendo uma importante correção. Afinal, é época de reflexão, não é mesmo? No dia 4 de janeiro de 2021 publiquei a crítica de Cobra Kai – Temporada 3 dizendo que a série teria que acabar. Como Daniel LaRusso (Ralph Macchio) e o Sr. Miyagi (Pat Morita) sempre ensinaram, é preciso humildade para reconhecer o erro. E quem veio me fazer mudar de opinião foi justamente a quarta temporada de Cobra Kai, que estreia neste dia 31 de dezembro de 2021 na Netflix.

https://youtu.be/z4CchejljKs

Focado na ideia equivocada de que a série poderia se estender demais e acabar perdendo sua importância, no clássico dilema instituído pelo Batman, de que “você pode morrer herói ou viver o bastante para se transformar em vilão”, essa minha correção de rumos precisa também ser registrada. Showrunners, roteiristas e atores estão de parabéns. A quarta temporada de Cobra Kai mantém o pique das anteriores e eleva o tom dos desafios, mesclando alguns clichês, é claro, mas entregando uma temporada das melhores no quesito entretenimento. É o tipo da série que maratonar não cansa. A experiência fica mais legal – pasmem, vou ir novamente contra meus princípios por aqui – se você assistir dublado. Cada bordão de Johnny Lawrence (William Zabka) é marcante e faz rir (mesmo que suas piadas sejam mal vistas atualmente).

Cobra Kai Dojôs Unidos
A união dos dojôs Presa de Águia e Miyagi-dô

A partir dos acontecimentos da terceira temporada, sabíamos que teríamos rivalidades crescendo e conflitos ainda mais graves chegando. A união de LaRusso e Lawrence contra o Cobra Kai foca no aguardado Torneio Regional de Caratê Sub-18. Quem perder terá que “pendurar o quimono”. E como já se previa, Kreese mexeu seus pauzinhos e tocou novamente na nostálgica jornada de Daniel nos filmes “Karatê Kid”. Neste quesito, a produção segue nos brindando com surpresas e re-apresentando personagens marcantes dos filmes. Desta vez, temos até mesmo surpresas de retornos de aliados e inimigos apresentados pela própria série. O roteiro é bom o suficiente para que essas voltas sejam justificadas e preencha lacunas nunca mostradas pelos filmes, dando um background importante para cada um deles.

Cobra Kai: Martin Kove volta como John Kreese, e Thomas Ian Griffith repete seu papel de Terry Silver

Miguel (Xolo Maridueña), Samantha (Mary Mouser), Robby (Tanner Buchannan) e Tory (Peyton List) seguem sendo o núcleo jovem de destaque, mas as rusgas entre Daniel e Johnny também estão firmes, mesmo com a união dos Dojôs. Johnny continua sendo uma das melhores coisas da série, com seu protagonismo errante e seus respiros cômicos. Mas os coadjuvantes também têm grandes participações. Um dos grandes acertos da série desde seu início é conseguir balancear todos esses personagens (e apresentar novos) e fazer com que a gente realmente se importe com eles. Portanto, você pode esperar mais de Dimitri (Gianni DeCenzo), Falcão/Eli (Jacob Bertrand) e até mesmo Anthony LaRusso (Griffin Santopietro) que cresceu e mudou bastante… e acabou também ganhando um rival para chamar de seu.

União improvável: Daniel LaRusso (Ralph Macchio) e Miguel Diaz (Xolo Maridueña)

O mesmo balanço encontrado para contar tantas sub-tramas existe para equilibrar o drama, comédia e a tensão entre as lutas. Mesmo que dessa vez não tenhamos tantas cenas de brigas (o tom baixa e não há delinquência juvenil exagerada, risos), é difícil não torcer para um ou outro personagem ou dojô quando o torneio começa. Parte desse charme e tensão também cresce com a presença de mais um inimigo do passado de Daniel LaRusso: o maluco Terry Silver (Thomas Ian Griffith) que faz até mesmo (o também ótimo vilão) Kreese (Martin Kove) rever alguns de seus conceitos. O plot-twist do final fica realmente inesperado, e claro, para confirmar que realmente eu estava errado na temporada passada, deixa um gancho para que mais histórias sejam contadas. E com o final desta quarta temporada, os dojôs Miyagi-Dô e Presas de Águia (que novamente rende ótimas piadas) terão que rever alguns de seus conceitos e promessas caso queiram finalmente terminar os conflitos de All Valley de uma vez por todas. Cobra Kai não precisa acabar. Cobra Kai Nunca Morre.

Veredito da Vigilia
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