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“Pele de Rinoceronte” derrapa ao ser didático demais

16/08/2026 - 54º Festival de Cinema de Gramado - Atriz Naruna Costa do Longa-metragem brasileiro "Pele de Rinoceronte", de Marcello Ludwig Maia | Foto oficial: Cleiton Thiele/Ag.Pressphoto

Entre série, podcast e filmes, a história de Ângela Diniz já foi contada diversas vezes. O segundo filme competitivo da 54ª edição do Festival de Cinema de Gramado, “Pele de Rinoceronte”, de Marcello Ludwig Maia quase conta esse crime.

Quando falo quase, é porque a história foi base para o filme, mas não foi dado, à vítima, nome. Ângela, nossa história, era a “mulher” e até mesmo, “a morta”. Em nenhum momento foi dito que era a Pantera de Minas, assassinada por seu companheiro, Doca Street. Essa escolha narrativa talvez queira mostrar que qualquer mulher poderia ou ainda pode ser Ângela, assassinada por não querer mais estar em um relacionamento. Mas esse recurso gera um estranhamento ao longo de todo o filme.

Em paralelo, dois núcleos vão se desenvolvendo. Enquanto a jornalista Helena Ferraz, vivida por Débora Falabella, faz de tudo para expor a história da vítima e vender jornais, a advogada Maria Teresa, que ganha vida a partir de uma boa interpretação de Naruna Costa quer mostrar que a mulher não é culpada por sua própria morte.

Além das duas histórias, existem flashbacks do casal inspirado em Ângela e Doca durante todo filme. O que mais chama atenção em “Pele de Rinoceronte” é que nada é memorável. É um filme regular, mas esquecível. Não marca, não empolga. Claro que a temática transforma o filme em um debate importante, mas parece que, em algum momento, a ideia se perdeu. A narrativa quase didática, com diálogos expositivos, enfraquece o longa.

Apesar do roteiro fraco, existem pontos positivos no longa. As atuações estão boas, as duas atrizes que já citei são excelentes, Irandhir Santos e Augusto Madeira estão bem também. Além disso, a direção de arte é bem resolvida.

“Pele de Rinoceronte” tem predicados, mas se torna enfadonho por querer explicar demais em diálogos ensaiados e expositivos. É um filme que poderia ser muito mais ousado, mas peca em sua narrativa. Mais uma vez, a história de Ângela Diniz não ganhou a roupagem certa para o cinema.

Foto oficial: Cleiton Thiele/Ag.Pressphoto

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