Vigília Nerd

Mestres do Universo: diversão e farofa “com” compromisso

Novas adaptações de animações, livros, histórias em quadrinhos ou games que marcaram época sempre trazem aquele “nervoso” para os fãs ou simpatizantes de determinadas obras. E a regra se aplica novamente em Mestres do Universo (2026), o filme do He-Man. E eu que o diga. Mesmo que a franquia de animações e (principalmente) brinquedos da Mattel já tivesse sua primeira experiência nas telonas (no longínquo filme de 1987, dirigido por Gary Godard e estrelado por Dolph Lundgren, Frank Langella e Courteney Cox), milhares de crianças que foram forjadas pelo final dos anos 80 e início dos anos 90, os nerds há mais tempo, depositavam sim alguma esperança em Mestres do Universo, que chega aos cinemas brasileiros neste dia 4 de junho. E elas podem ficar tranquilas, Travis Knight, diretor que parece forjado para essas missões que parecem verdadeiras “frias” (vide Bumblebee), acertou a mão novamente.

E claro, para seguir nessa crítica, é preciso dizer que Mestres do Universo (2026) é um filme com muito compromisso. Há quem diga que ele será o contrário e verdadeiramente “sem compromisso”. Até posso entender a ideia, mas a verdade é que Travis Knight cumpriu muito bem essa arriscada missão de transformar uma obra pra lá de datada, em algo palpável e interessante nos dias de hoje. E para isso, é necessário sim ter compromisso com a obra original. 

A história acompanha o Príncipe Adam (Nicholas Galitzine), que foi separado de seu planeta natal, Eternia (é claro), ainda criança e acaba sendo criado na Terra. Embora essa premissa possa lembrar o filme de 1987, que por falta de recursos precisou ser rodado em cenários urbanos, aqui ela serve como base para o início desse compromisso todo. Creio que nem um terço do filme seja rodado na Terra. O que é ótimo. Com a facilidade em que Adam cai na Terra, ele volta para Eternia após 15 anos. É o tempo suficiente para que o príncipe-guerreiro qualifique o filme do início ao fim, seja para nomear personagens como Aríete, Fisto, Mandíbula, Esqueleto, Malígna e… é claro, He-Man (Ele-Homem!).

Mais um parágrafo para elucidar um pouco mais esse “compromisso” do filme. Caro leitor, estamos falando do filme do He-Man (!), um produto que nasceu de um brinquedo que quis misturar um pouco de tudo que fazia sucesso com os meninos nos anos 80. Ele é um misto de bárbaro (Conan?), com Espada Mágica (Rei Arthur?), força descomunal (Superman?) e um cenário futurístico-retrô (Star Wars? Flash Gordon?), que comanda seu reino que possui um exército (Comandos em Ação?) de excêntricos. Tudo aqui foi pensado unicamente em vender brinquedos, e foi ele que ajudou a revolucionar a cultura pop e a infância de muita gente (a sua, a minha). Nesse aspecto, vale conferir o livro O Efeito He-Man (de Brian Box Brown) e a série Brinquedos Que Marcaram Época (Netflix). Isso tudo ajuda a construir ainda mais a importância dos Mestres do Universo na indústria. Tudo isso pra dizer: Como levar a sério um filme com toda essa mistura? E o pior (ou melhor), um filme que é quase 100% fiel à animação?

Portanto, os 15 minutos do filme na Terra servem unicamente para qualificar o que vem depois. É o alicerce do roteiro para que todo mundo caia na real. É claro que não tem como levar a sério. Volte no tempo e sinta-se em frente à TV de tubo, pois o longa entrega tudo que se via na animação. E quando se diz tudo, é desde o He-Man parando naves com a mão, as risadas bizarras do Esqueleto (um escondido Jared Leto por baixo de toda a maquiagem), um homem-aríete fazendo strike nos vilões e um Mekaneck sentando a pescoçada (literalmente) nos lacaios da Serpente do Mal. O diferencial aqui é que o longa não faz questão nenhuma em esconder todas essas homenagens ao produto original. Portanto, se você gritava “Pelos poderes de Greyskull” como eu quando pequeno, você vai se sentir em casa. E tá tudo bem, pois cravaram He-Man e os Mestres do Universo com ferro quente em nossos neurônios muitos anos atrás.

Mestres do Universo é o filme-pipoca do ano. Sem compromisso? Para quem for assistir, total. Agora para quem fez? Bom, o compromisso foi completo. E ele vem com alguns toques que formam a cereja do bolo: uma trilha sonora acertada, que nos remete ao trabalho do Queen (aqui representado por Brian May) em Flash Gordon, passando pelas vinhetas originais da animação, e culminando em três cenas pós-créditos que são óbvias, e igualmente adoráveis. Se você assistia He-Man na infância, então pode correr para os cinemas.

Veredito da Vigilia
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