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Maid: best-seller vira uma grata surpresa no catálogo da Netflix

MAID (L to R) RYLEA NEVAEH WHITTET as MADDY and MARGARET QUALLEY as ALEX in episode 101 of MAID Cr. RICARDO HUBBS/NETFLIX © 2021

“Maid” chegou ao catálogo da Netflix em outubro e traz uma adaptação do best-seller autobiográfico de Stephanie Land. O título original do livro é enfadonho e pouco inspirado: Superação: Trabalho Duro, Salário Baixo e o Dever de Uma Mãe Solo, mas Maid consegue ir na contramão e ser uma grata surpresa entre tantas opções adicionadas ao vasto catálogo da grande locadora com símbolo vermelho. 

https://youtu.be/M4nrGje_pyc

A história é em grande parte o que o longo título do livro descreve. Ela ganha contornos importantes por mostrar a superação de uma mãe que precisa encarar o marido abusador, dar condições para filha pequena de três anos como empregada doméstica e ainda contornar problemas trazidos pela própria mãe. Apesar de ter um contexto favorável se comparado a realidade brasileira, a história se assemelha à de uma parcela absurdamente grande da população mundial. Estima-se que o trabalho de empregada doméstica alcance mais de 60 milhões de pessoas em todo o planeta, a maioria, mais de 80%, por lógica da sociedade patriarcal, é de mulheres.

Mas vamos à série. A história conta como Alex saiu de um casamento feliz para uma noite humilhante na rua com sua filha Maddy. O fundo do poço nos Estados Unidos ainda pode ser mais cômodo que o do Brasil, afinal, mesmo com programas de assistência social altamente burocráticos, ela consegue com algum esforço um local para morar e ficar longe do marido que pratica violência doméstica, em sua grande maioria, violência psicológica. Imagino que isso seja quase impossível por aqui.

O núcleo principal, tão essencial para a série, é formado por atores que entregam a qualidade para nos conectarmos com todas as etapas na apresentação dos personagens. Alex é vivida por Margaret Qualley (que fez uma ponta em Era uma vez em Hollywood). Seu marido é Sean (Nick Robinson, o próprio Simon, de Com Amor, Simon). A veterana Andie MacDowell é a despirocada Paula, mãe de Alex, personagem pela qual você nutrirá cada vez mais raiva, mas isso quer dizer que ela fez bem seu papel. Fun fact: ela realmente é a mãe da atriz Margaret Qualley, ou seja, tudo em casa.

andie macdowell
MAID: Paula (Andie Macdowell) vai fazer você passar raiva, muita raiva.Cr. Ricardo Hubbs/Netflix 2021

Lutando para dar uma vida minimamente digna para a filha, Alex, que até então tinha desistido da faculdade de Literatura para ser dona de casa, se vê abraçando a oportunidade na empresa de empregadas domésticas mais precária da cidade. A exploração da nova “firma” para com ela é outro grande obstáculo para começar a ganhar dinheiro. Ah, e claro, antes de chegar aqui, ela ainda precisará travar uma pequena batalha judicial pela guarda da filha. Basicamente os problemas iniciais de Alex vão se tornando uma grande bola de neve e a montanha que ela desce parece não ter fim.

Mesmo que possa soar piegas e clichê em vários momentos, é difícil não se apegar ao drama de Alex. Mesmo que essa seja a história de um expressivo número de mulheres no Brasil – e como falei, aqui a assistência é quase inexistente e a ralação seria dez vezes maior – Maid consegue nos prender na história. Isso também se deve ao fato da produção se dedicar ao máximo em humanizar todos os núcleos, colocar mais personagens no caminho e potencializar o drama sempre nos mostrando a pequena Maddy. A muleta da criança sofrendo é um grande catalizador de sentimentos, e ela é bem explorada. E mesmo que os perrengues às vezes fiquem bem pesados, a série mescla vários momentos de alívio e respiro, nos quais o público poderá se amparar e tomar fôlego antes de mergulhar em águas geladas e turvas novamente.

MAID: Alex (Margaret Qualley), Maddy (Rylea Nevaeh Whittet) e Sean (Nick Robinson) formavam uma família feliz, até que…

O fato de trazer uma história de superação é também um alento para o desfecho dos 10 episódios (que tem em média 50 minutos). Apesar de longos, eles são fluídos e fazem da nossa imersão uma boa experiência, sendo formato maratona ou para aquele que gosta de regular a dose diária de consumo de streaming. Os cenários e os percursos que a personagem percorre, e até mesmo as metáforas visuais usadas também servem como alento e enchem os nossos olhos.

Maid traz uma história autobiográfica competente e inspiradora, mostrando que sonhos, conquistas e trabalho podem sim ser recompensados, mesmo que a vida insista em colocar obstáculos na nossa frente. 

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