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“Leite em Pó” aposta nas nuances do fracassado

18/08/2026 - 54º Festival de Cinema de Gramado - Mostra Competitiva de Longas-Metragens Brasileiros Sessão 4 - Equipe do longa-metragem brasileiro “Leite em Pó”, de Carlos Segundo - Diretor Carlos Segundo e o ator Vinícius de Oliveira | Foto oficial: Edison Vara/Ag.Pressphoto

“Leite em Pó”, de Carlos Segundo, é um filme que precisa ser digerido. O quarto longa em competição no 54º Festival de Cinema de Gramado deu ao público uma sensação de estranheza. Mas uma inquietação positiva.

Na trama, o músico paulista Vicente, vivido por Vinícius de Oliveira, tem uma vida frustrada. Com quarenta anos, sonhando em ser cantor e morando com a avó, o homem se vê diante de um luto que não sabe como digerir. Para tentar um recomeço, ele entra em um ramo de vendas inusitado e sua vida começa a ser atravessada por diversas histórias e atravessando a cidade.

Enquanto tenta lidar com todos os acontecimentos recentes, ele adentra na vida dos avós e fica ainda mais chocado com toda vida pregressa da família, que ele desconhecia.

A vida de Vic, como gosta de se apresentar na noite, poderia ser a de qualquer quarentão frustrado que não sabe o momento correto de talvez de abrir mão de seus sonhos ou recalcular a rota. Ele só faz isso porque é forçado, já que, por muito tempo, sua avó o sustentou e fazia até mesmo seu copo de leite para quando ele chegasse do trabalho.

Com um roteiro irregular, o longa desperdiça potencial por ser tão inconstante. Com algumas sacadas interessantes, os diálogos, em sua maioria são bem construídos e nos levam para a realidade daquelas personagens que vivem em Natal, no Rio Grande do Norte. O passado não importa mais do que já é dito e a história da saída da adolescência tardia se torna uma tragédia com nuances de comédia.

Leite em Pó – Um músico de limitado talento e obcecado por rock vê sua vida desabar após uma perda familiar devastadora. Sozinho e sem dinheiro, ele aceita um novo trabalho que o força a circular pela cidade, onde cruza caminhos com as mais variadas pessoas que desafiam sua visão de mundo. Entre memórias incômodas e esses novos laços urbanos, ele inicia uma jornada errática e transformadora para confrontar seus próprios fantasmas e tentar se reconectar com a realidade. MG/SP/RN | 96’ | 14 anos

Ao amadurecer forçadamente, Vicente representa uma geração de homens que estão insatisfeitos, mas acomodados. Seu talento para a música é pouco, seus CDs não vendem e ele não abre mão do rock para tentar outros estilos que possam o sustentar. O sonho de ser um cantor de sucesso parece que abafa a realidade. Só que nem sempre é possível fugir dos fantasma do passado e o luto e a vida adulta o encontram quando ele menos espera.

Com simbolismos, o filme ganha ao explorar uma vida comum e infeliz. Em Vicente, vemos vizinhos, colegas de trabalho, até amigos. Pessoas que estão imersas em suas próprias vidas frustradas e não fazem nada para virar o jogo.

Vinícius de Oliveira convence no papel e acaba conseguindo simpatia do público. A montagem é outro ponto alto do filme, que se torna dinâmico, engraçado e triste ao mesmo tempo.

Apesar da irregularidade e do potencial desperdiçado, “Leite em Pó” é um filme ousado, que dá luz e voz a um protagonista que parece alguém que você conhece. Isso deixa o longa interessante e encantador.

Foto oficial: Edison Vara/Ag.Pressphoto

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