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La Frontera | Crítica

48º Festival de Cinema de Gramado 2020 - Longa-Metragem Estrangeiro - Filme: "La frontera" - Direção: David David - Elenco: Daylin Vega Moreno, Sheila Monterola, Nelson Camayo, Alejandro Aguilar, Yull Núñez. - Sinopse: "En mitad de una crisis fronteriza entre Colombia y Venezuela, una joven indígena vive con su esposo y su hermano, robando a viajeros que van por trocha, hasta que el destino la empuja al borde de su ilusión, haciéndola perderse en misteriosos sueños."

No segundo dia do Festival de Cinema de Gramado, foi exibido um drama colombiano do estreante David David. Abordando a delicada situação das famílias afetadas pelas crises de fronteira entre Colômbia e Venezuela, La Frontera, é uma narrativa dura e crua de uma realidade nem tão distante de nós, mas muitas vezes desconhecida.

Se a intenção do diretor foi chocar logo no início, podemos dizer que David David acertou. Uma primeira cena impactante abre o longa que coleciona momentos surpreendentes. Logo de início, conhecemos Diana, uma jovem indígena, vivida por Daylin Vega Moreno, que mora com o marido, Chevrolet, e o irmão, Jorge, em situação precária. O grupo ganha a vida roubando viajantes que seguem por trilhas próxima à casa deles. 

Em um desses eventos, eles se separam. Os dois homens somem e Diana se vê sozinha, no final de uma gestação e precisando recomeçar de alguma forma. A gravidez de Diana diz muito sobre a situação em que ela vive. Não sabe ao certo de quanto tempo está grávida, não fez nenhum acompanhamento e não sabe nem lidar com o que pode acontecer. Entram então dois novos personagens que chegam para fazer companhia na solidão de Diana e auxiliá-la em seus anseios.

“La frontera” tem em Daylin Vega Moreno uma excelente protagonista

La Frontera não é apenas sobre o drama da fronteira física, mas fala muito sobre as fronteiras e limitações que a personagem principal passa, estando reclusa a vida inteira no mesmo local e sabendo muito pouco da vida fora daquele ambiente, além da fronteira. Até mesmo seus sonhos e perdas parecem ficar no limite entre verdade e ilusão. 

Os conflitos entre a Colômbia e a Venezuela são bem explorados, mostrando o que a crise entre os países, que acontece quase diariamente, impacta na vida dos moradores daqueles locais. Famílias divididas, clima de guerra e tensão por todos os lados fazem parte de toda narrativa e estética do filme. A situação econômica de Diana e como isso impacta em suas relações e na vida da protagonista é muito bem retratado, nos fazendo mergulhar e nos sentir naquele universo durantes os 89 minutos do longa.

La Frontera é um retrato muito bonito da realidade. Daylin Vega Moreno entrega uma protagonista simples, mas repleta de nuances. E David David aparece bem se dividindo entre os papéis de diretor e roteirista. 

Veredito da Vigilia
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