Alejandro G. Iñárritu é inventivo. “Amores Brutos” (2000) e “Birdman” (2014) – vencedor do Oscar 2015 de Melhor Filme, Direção, Roteiro Original e Fotografia – são histórias que surpreendem o espectador. “Digger”, o novo filme do diretor, tinha esse mesmo potencial, mas derrapa na irregularidade.
O novo longa de Iñárritu tem como personagem principal Digger Rockwell, considerado o homem mais poderoso do mundo. Em nome da sua ambição e da sua busca incessante por dinheiro, ele não está preocupado com as catástrofes climáticas, quer apenas mais e mais petróleo. Após um desastre ecológico, ele une forças com o governo dos Estados Unidos para tentar livrar sua barra.
E isso é tudo o que eu posso contar sobre o enredo do filme. Qualquer outra informação, poderia estragar a sua experiência.
Em formato satírico, Iñárritu faz duras críticas ao capitalismo e a sua lógica predatória. O humor entra com muita força, parecendo, até mesmo, um filme do Wes Anderson. As ações coreografadas e as piadas ácidas lembram muito o diretor estadunidense. Temos a impressão que Iñárritu tentou beber na fonte mais “Estados Unidos” que ele poderia. Em alguns momentos dá certo, em outros, bem errado.
É nessa irregularidade que temos o grande problema de “Digger”. Apesar da virada no primeiro ato, em que tudo é muito caricato, as cenas longas e intermináveis predominam o pouco de inventividade. Cansativo e repetitivo, o que era uma ideia transgressora se torna até mesmo previsível.
Tom Cruise, apesar da maquiagem constrangedora (que não consegui decifrar se era propositalmente mal feita ou não), atua bem no papel principal. Ele consegue fazer bem o papel de um homem que está em conflito consigo. Sandra Hüller, Riz Ahmed e John Goodman se saem bem no elenco de apoio.
Porém, nada salva nenhum dos atos do filme. O último, inclusive, é o mais incômodo. É o fechamento lamentável para um longa difícil.
“Digger” é um exemplo perfeito de que mesmo uma boa ideia pode se perder quando é necessário sucumbir à indústria.
