Em novembro, quando As Marvels chegou aos cinemas, eu pensei que nenhuma vergonha seria maior em se tratando de filmes de super-heróis em 2023. Mas, é aquilo, tudo sempre pode piorar. E Aquaman 2: O Reino Perdido conseguiu não só repetir o feito da concorrência, mas ser ainda menor. E em todos os sentidos.
É interessante pensar que, tanto a Capitã Marvel quanto o Rei de Atlantis fizeram um sucesso arrebatador, chegando a barreira do bilhão em seus filmes de estreia … e agora amargam as (prováveis) piores bilheterias, tanto da Marvel quanto da DC. A fadiga das máquinas já não é mais uma teoria, e sim uma realidade. Mas isso é papo para outro dia, outro texto, outro vídeo ou mesmo podcast.
Aquaman 2 tinha tudo para ser uma sequência (necessária depois do primeiro filme ser a maior bilheteria de um herói da DC em todos os tempos) no mínimo divertida. Manteve seu elenco principal, cavou sua continuação com o vilão Arraia Negra (com o ótimo Yahya Abdul-Matteen II) e também o seu diretor James Wan (Maligno), nome consagrado na Warner e talvez um dos mais rentáveis produtores do estúdio até então. Mas, basicamente, parece que nada deu certo.
A aventura do primeiro filme ficou para trás. Agora não há mais peso nenhum na jornada do herói e mesmo o carisma de Jason Momoa parece ter virado um pastiche de si mesmo. Não sabemos se ele é Arthur Curry/Aquaman ou qualquer outro personagem que tenha vivido aleatoriamente no cinema nos últimos anos. Também pesa contra o fato de colocarem uma comédia pastelão entre ele, Mera (Amber Heard) e o primeiro filho do casal. Uma vibe meio Três Solteirões e um Bebê que não casou bem. Depois disso, uma missão de um Rei errante e seu irmão Orm (o sempre irregular Patrick Wilson – embora há quem goste).

A saga que, para variar, envolve salvar o mundo, acaba sendo mais do mesmo. Com efeitos especiais no lugar e muita cor, James Wan se ampara no reino criado para o primeiro filme e aposta nas milhares de possibilidades de construir diferentes reinos embaixo d’água. Assim como no primeiro, uma espécie de “O Senhor dos Anéis embaixo d’água”. Mas, como sabemos, não é o visual que segura um filme. A história não cativa, os personagens não nos prendem e as “vinganças” pouco são efetivas. No meio de tudo isso, James Wan ainda erra a mão na trilha sonora, inserindo obras bem clichês e outras que, adivinhem (?), já foram utilizada lá atrás no primeiro filme dos Guardiões da Galáxia. Fica até feio repetir.
A cereja do bolo estragado, por óbvio, ainda fica para o final, com uma lição de moral jogada na nossa cara e uma piada terrível no maior nível bordão do Zorra Total com o nosso já ex-Aquaman. Ah, e ainda tem uma piada de pós-créditos que … bom, como falei, a vergonha de As Marvels foi superada.
Que 2024 seja melhor para o nosso já tão surrado cinema. Seja de super-heróis quanto o “tradicional”. Estamos precisando!