Os cinéfilos que estavam sentindo falta de um grande épico nas telonas já podem se preparar. Nesta quinta-feira, dia 16 de julho, “A Odisseia” chega aos cinemas de todo o Brasil. O novo grande projeto de Christopher Nolan faz questão de já nos créditos de abertura incitar “escrito e dirigido para os cinemas”. E, honrando sua defesa, é exatamente isso. A nova versão cinematográfica de A Odisseia foi feita para curtir na sala escura, de preferência, a que tiver o maior potencial de imagem e som. Com essas armas na mão, Nolan entrega um épico completo, do início ao fim, e faz o espectador nem perceber o tempo total de 2h52 de exibição.

Em caso de pouca familiaridade com A Odisseia e a história da longa viagem de Odisseu (aqui encarnado por Matt Damon) de volta para casa após a batalha de Troia, vale a sinopse (spoiler do poema atribuído a Homero registrado na forma escrita no Período Arcaico, entre 800 e 500 A.C.): a jornada épica mostra ele e o que sobrou de seu bravo exército em confrontos com criaturas míticas, ira dos deuses, magia e outros ingredientes marcantes. Um prato cheio para os amantes da literatura (e claro, do cinema!).
Mas não é só na tecnologia de captação da sétima arte e na obra arcaica de Homero que o vencedor do Oscar de melhor diretor e melhor filme por Oppenheimer se ampara. Para remontar toda a história – e já que estamos em época de Copa do Mundo, vale a referência -, ele chamou para campo uma verdadeira seleção mundial. Além de Matt Damon, temos desfilando em tela nomes como Anne Hathaway (como Penélope), Tom Holland (Telêmaco), Zendaya (Atena), Mia Goth (Melanto), Robert Pattinson (Antínoo), John Leguizamo (Eumeu), Jimmy Gonzales (Cefeu), Himesh Patel (Euríloco), Charlize Theron (Calipso), Lupita Nyong’o (em papel duplo), Jon Bernthal (Menelaus) e Elliot Page (Sinon). Convenhamos, que estamos bem acompanhados, não é mesmo?
E como vem mostrando ao longo de toda sua carreira, Nolan nos entrega um filme que é um primor em seus principais aspectos técnicos: fotografia, edição, roteiro, efeitos especiais e práticos, som e interpretações. Tudo trabalha da melhor forma possível para que o épico seja realmente um épico. Desses itens todos da lista, ressalta aos olhos o trabalho de edição. Entre idas e vindas na linha do tempo da história, ela se destaca, dando excelente ritmo e fluência. Como mencionei antes, ao final, o tempo total de filme não pesa aos ombros, e muito menos às nossas pálpebras. A trilha sonora é também marcante em sua presença, em mais um ótimo trabalho de Ludwig Göransson (sempre ele, repetindo o sucesso da dobradinha, que já vimos em Tenet e Oppenheimer).
No final das contas (e como já se esperava), por toda a pompa e a produção que a cerca, A Odisseia deve marcar 2026 como o grande épico do ano e escalonar grandiosamente as melhores premiações que virão na virada para 2027. Nolan novamente acerta em quase tudo. E vou me dar o direito de deixar o quase demarcado por aqui, pois, se há algum tipo de falha no longa, é o fato de que depois de toda a saga reconstruída, podemos sair da sessão com algum tipo de indiferença (veja bem, algum tipo, não total indiferença). Afinal, Odisseu percorreu diferentes continentes, enfrentou todo tipo de dificuldades durante décadas, e quando sobem os créditos, pode vir a sensação de que faltou algum tipo de conexão com os personagens envolvidos. Se sobreviveram ou ficaram pelo caminho… não importa… ainda assim, foi lindo de acompanhar.