“Justino – Nos Bastidores do Reino” é regular sem surpreender
José Eduardo Belmonte é um diretor que surpreende, para o bem e para o mal. Afinal, ele oscila entre excelentes títulos, como “O Pastor e o Guerrilheiro”, e lamentáveis, como “Uma Família Feliz”. Em “Justino – Nos Bastidores do Reino”, ele ficou entre os dois. Apesar de bem feito, o longa tem uma estética e uma história que poderia funcionar muito melhor em uma plataforma de streaming que nos cinemas.
Baseado no livro “Nos Bastidores do Reino”, de Mário Justino, o longa conta a história de um ex-pastor que viveu a auge e a decadência da sua história dentro da igreja. Ambientado entre as décadas de 1960 e 1990, o filme não cita o nome da igreja em questão, mas a logotipia, os acontecimentos e o entorno tornam fácil mostrar de qual se trata.
Tudo começa na década de 1960, quando um jovem pobre da periferia tenta mudar de vida. Em primeiro lugar, ele faz a aposta mais óbvia: o estudo. Porém, as promessas da igreja o seduzem e o fazem largar tudo para galgar posições dentro da congregação.

O bispo responsável por todos é o Pastor Azevedo, vivido brilhantemente, por Caio Blat. Interesseiro, arrogante e manipulador, ele mostra como alguns pastores neopentecostais usam da fé cega para enriquecer.
Justino, vivido por Christian Malheiros, como o nome sugere, é um homem justo, que tenta ajudar os fiéis da sua igreja, até mesmo com dinheiro, porém essa é uma atitude condenável para os pastores. Com uma vida de punições, o pastor se torna uma pedra no sapato da congregação até ficar isolado nos Estados Unidos – todos fatos que aconteceram, realmente.
Com passagem de tempo bem marcadas e uma montagem eficiente, o longa tem um recorte grande de tempo, mas não deixa o público confuso como “Chorão” deixou. É fácil de entender em que ano e lugar do planeta a história está acontecendo.
Coeso, o elenco se sobressai, com ótimas atuações, quase realistas, de como os pastores e a igreja tratam, até hoje, os fiéis. A direção de arte também se destaca ao pontuar, muito bem, a década que está sendo retratada.
O maior incômodo que surge em “Justino” é que o filme se torna muito previsível e chapa branca. Não é preciso pensar para entender nenhum simbolismo. Está tudo ali, posto, sem precisar que o público se envolva na história. É só entreter por entreter.
Por isso, “Justino – Nos Bastidores do Reino” poderia ser um telefilme regular de plataformas de streaming. É um filme que prende, do início ao fim, mas não se torna memorável.
Foto oficial: Cleiton Thiele/Ag.Pressphoto
