“Chorão – Só os Loucos Sabem” não faz jus à história de Charlie Brown Jr.
Chorão foi um astro. Com suas letras transgressoras, ele cantou uma juventude de Santos, fez críticas sociais e se tornou um ídolo inesquecível, principalmente para quem cresceu junto com o auge da banda. Era sucesso nas rádios, em festivais de música e nos programas de televisão. E, infelizmente, “Chorão – Só os Loucos Sabem”, de Hugo Prata e Felipe Novaes não consegue representar a grandiosidade de Alexandre Magno Brandão Jr. (1970 – 2013).
Inspirado no livro de memórias “Se não eu, quem vai fazer você feliz? Minha história de amor com Chorão”, de Graziela Gonçalves, a Grazon, companheira de Chorão por muitos anos, o filme aborda muitos anos da história do cantor em pouco tempo. É no roteiro que os deslizes começam. Com saltos temporais sem explicação, notamos os anos passando a partir do crescimento de Xande, o filho do músico, que inclusive é colocado na trama sem nenhuma explicação. Faltou fazer um recorte temporal para que os fãs entendessem sem pressa quem foi e como era a relação de Chorão com seu público.

A narração de Grazi (Nanda Marques) é piegas e dificulta o embarque na história. A ausência de grandes sucessos da banda é outra falha grave. Ficamos sem “Te Levar Daqui”, que foi tema da abertura de Malhação entre 1999 e 2006. “Luta Pelo que é Meu”, que ficou como abertura da novela por mais duas temporadas, também ficou de fora. Não tivemos o Acústico MTV, que vendeu mais de 250 mil cópias e nem cenas emblemáticas, como a agressão em Marcelo Camelo, dos Los Hermanos, que foi um acontecimento que parou o Brasil.
A banda formada no longa tocava apenas no mesmo estúdio, como se fosse um conjunto de garagem e não uma das maiores bandas de rock do país. Chorão era intempestivo, agressivo, difícil de lidar, mas a versão de José Loreto ganha um recorte mais amigável. Por muito tempo, não parece quase uma cinebiografia chapa branca. Assim como em “Ângela“, do mesmo diretor, não entendemos a alma e a essência de quem está sendo biografado.
Loreto consegue convencer como Chorão. Ao subir no palco, alegou que é o filme da sua vida e realmente, parece que dedicação não faltou. Deve faturar o Kikito de Melhor Ator este ano. Porém, os pontos positivos terminam por aí.
“Chorão – Só Os Loucos Sabem” desperdiça a chance de dar aos fãs uma nostalgia dos anos 2000, quando o Charlie Brown estava em seu auge. É decepcionante ver um ídolo da música ser retratado dessa forma.
Foto oficial: Cleiton Thiele/Ag.Pressphoto
