Star Trek: Discovery | Crítica da 1ª Temporada

Se você não é trekker, leia esse texto!

Se é ou sente um mínimo de afeição pelos filmes originais ou da era J.J. Abrams, suba a bordo da USS Discovery para essa primeira temporada incrível de uma história com tudo o que gostamos de planetas e raças esquisitas, passando por (hehe) Viagem no Tempo e passagens a dimensões paralelas.

Confesso que não sou um trekker de carteirinha, conheço o básico do cânone do universo criado por Gene Roddenberry e só. Mas fui pego de surpresa com a qualidade da série produzida pela Netflix, que tem atuações e um tratamento de adulto dado aos 15 episódios dessa temporada que foi disponibilizada episódio por episódio nas segundas-feiras até o último dia 12 de fevereiro.

A Capitão da Discovery Georgiou (Michelle Yeoh), depois substituída por Gabriel (Jason Isaacs), com a Humana/Vulcana Michael (Sonequa Martin-Green) e o Kelpiano Sarun (Doug Jones).

Star Trek Discovery é um sopro de criatividade com roteiros amarrados entre os episódios, diferente do padrão de outras filiais da nave mãe Star Trek, que tem como modelo o vilão do episódio. Nessa nova geração um pequeno detalhe em um dos episódios iniciais se torna o ápice de outro episódio, puxando o telespectador pra junto do roteiro. Quem te faz sentir mais próximo também é o elenco afiado, liderado por Sonequa Martin-Green (a Sasha de The Walking Dead) no papel da relutante Michael Burnham, que já te cativa logo no primeiro episódio com o seu comportamento “vulcânico”. Mesmo sendo humana, ela foi criada por um casal Vulcano, detalhe para o easter egg de Spock. Aliás, a série está cheia dos ovinhos escondidos, fazendo a alegria dos fãs. Ela percorre a fatídica jornada do herói, indo do céu ao inferno e forjando seu caminho de volta durante a série.

Temos também o segundo ator mais competente em CGI (mas aqui vestindo uma máscara perfeita): Doug Jones (de Hellboy e também o anfíbio do já cultuado A Forma da Água) no papel de Saru, da espécie kelpien, surpreendendo com uma atuação daquelas que te fazem ter os sentimentos de raiva passar para compaixão em poucos episódios. Temos também a participação especial de Michelle Yeoh (O Tigre e o Dragão) e Jason Isaacs (Harry Potter, Patriota, etc) nos papéis de capitães de suas naves, que também nos brindam com incríveis plot-twists. Só vendo para saber!

A história começa quando Michael descobre uma nave Klingon (sim eles estão de volta e muito melhores e apavorantes). Na descoberta, ela mata um líder da raça alienígena, motivo mais do que suficiente para a declaração de guerra contra a Frota Estelar. Entre batalhas, derrotas e vitórias, temos momentos épicos como a luta na dimensão paralela onde a Frota Estelar não existe, e sim, um Império Estelar comandado pelos terráqueos versus todas as outras raças juntas (incluindo os Klingon).

O Kligon T’Kuvma (Chris Obi) ensina você a falar a sua língua sem se cuspir (brincadeira).

Com cenas fortes de tortura, e, como falei antes, momentos “adultos” entre um humano e uma klingon, a temporada tem nuances bizarras, mas no mínimo curiosas, e muitas, mas muitas traições e viradas surpresas como nós nerds gostamos.

No último episódio temos uma pista sobre uma possível volta da Enterprise. Quem virá após Kirk e Picard?

Produzido e escrito por nomes conhecidos como Bryan Fuller, Akiva Goldsman (Oscar por Uma Mente Brilhante em 2002) e Alex Kurtzman (produtor dos novos filmes de Star Trek e muitos outros), Discovery é um ode à obra de Roddenberry, e, mais que isso, emoção, sentimento e tecnologia estapafúrdia que fingimos acreditar ser possível.

Vida Longa e Próspera!

Veredito da Vigília

Éderson Nunes

@elnunes