The Cloverfiel Paradox é muito …. Cloverfield | Crítica

Em primeiro lugar, a estreia de The Cloverfield Paradox pegou todo mundo de surpresa. Sempre alvo de rumores, o filme (de boca pequena) estava sendo chamado de The God Particle, por uma série de motivos. E uma, é claro, fazia parte da estratégia de não deixar vazar qualquer tipo de informação sobre a produção, inclusive o nome. A surpresa era proposital. Tudo indicava que teríamos o primeiro trailer do filme durante o Super Bowl, no dia 4 de fevereiro. E isso realmente aconteceu. O que ninguém imaginava era que a primeira amostra do filme viesse com a informação de que a sua estreia mundial fosse logo após o maior evento esportivo dos Estados Unidos. Pois é. Foi assim que The Cloverfield Paradox aconteceu, e assim, ganhou o catálogo da Netflix. A estratégia do mistério instiga, e por isso, fiz questão de, tão logo quanto possível, assistir. Fã confesso dos antecessores: Cloverfield – Monstro (2008, dirigido por Matt Reeves, que está a frente de The Batman e responsável pelo belo encerramento de Planeta dos Macacos) e Rua Cloverfield, 10 (2016, dirigido por Dan Trachtenberg, de Black Mirror), não sabia muito bem o que esperar da nova obra, mas agora já dá pra dizer que ela segue a receita de seus anteriores (e isso é ótimo). Talvez com um pouco menos de brilho.

Mas hein? Um filme desses assim, de uma hora pra outra? Até mesmo Hamilton (Gugu Mbatha-Raw) ficou surpresa.

Esqueça grandes explicações. Se você assistiu aos anteriores logo vai se deixar levar pela condução da narrativa. Somos jogados e apresentados a um determinado contexto, personagens e situações. As respostas virão com o tempo. Mas é claro, nem todas. Uma das coisas mais legais em se fazer um universo original como esse, é que as ferramentas estão todas à disposição. E a receita de instigar o público a todo momento é seguida a risca. O roteiro vai nos alimentando constantemente. O natural é tentar ligar os filmes, ir tecendo teorias e saber onde cada um deles se encaixa no outro. Mas não necessariamente essa ideia se concretiza. Dessa vez não estamos em um bunker ou correndo a cidade inteira fugindo de um ataque de algum monstro gigante. Temos uma equipe enviada para o espaço para suprir a necessidade mundial de uma nova fonte de energia. Por lá, em uma espécie de acelerador de partículas, a equipe formada por Hamilton (Gugu Mbatha-Raw), Kiel (David Oyelowo), Schmidt (Daniel Brühl), Monk (John Ortiz), Mundy (Chris O’Dowd, o Roy de IT Crowd), Volkov (Aksel Hennie), Tam (Ziyi Zhang) precisa acionar o máquina e fazer com que essa necessidade seja suprida de uma vez por todas. Com tempo exíguo, enquanto a Terra sofre com apagões e uma crise mundial, a tripulação cosmopolita precisa ter sucesso para que uma nova guerra mundial não ocorra. Mas estamos em um filme com Cloverfield no nome, portanto, tudo pode acontecer. Até mesmo aquilo que você jamais imaginaria. E eu já falei que isso é ótimo.

Diretamente dos porões de IT Crowd, Chris O’Dowd

Após várias tentativas, a tripulação já está tensa, e com muito mais tempo de órbita na nave espacial “Cloverfield” do que imaginavam inicialmente. Pode piorar? Sempre pode, afinal, o fluxo de energia deles também está se esgotando, o que diminui as chances de testes que eles precisam fazer. E como todo filme no espaço com uma tripulação cheia de sotaques, a desunião começa a pegar, no melhor estilo Alien. É na nave, e com alguns flashes do personagem Michael (Roger Davies) na Terra, que vamos tendo as situações desenhadas. E claro, nossa mente vai viajando junto com a ficção. É sempre divertido, ainda mais quando as explicações nos dão noções de viagem no tempo, multiversos e outros ingredientes (mas paro por aqui para não entrar em spoilers). Praticamente isso serve de recurso para qualquer coisa sobrenatural/bizarra/tensa/monstruosa que possa acontecer. E isso é muito Cloverfield. E no final? Bom, se você está familiarizado com essa caixinha de brinquedos, apenas aguarde.

Veredito da Vigília