Filmes sobre Jornalismo | Lista

Jornalismo, História e Cinema estão intrinsecamente ligados. Não há como negar. Em uma espécie de triângulo infinito, um vai abastecendo o outro, contando histórias reais, dramas e fatos incríveis que já foram noticiados em diferentes épocas do mundo em que vivemos. Por isso, na onda de The Post: A Guerra Secreta, mais uma grande investida de Hollywood no mundo das letras, fotografias, entrevistas, diagramações e reportagens, resolvemos elencar grandes filmes que trazem o Jornalismo para a trama central.

Entre ganhadores do Oscar, comédias, clássicos e até filmes com viagem no tempo, aqui estão grandes obras da Sétima Arte aliadas ao Jornalismo, seja ele fantasioso ou real.

Confira!

The Post: A Guerra Secreta (Steven Spielberg, 2017)

Spielberg fez questão de debater a liberdade de imprensa na consagrada Primeira Emenda dos Estados Unidos. E na trama em que ele reúne Tom Hanks e Meryl Streep, já poderíamos prever coisas boas. O filme conta a história dos chamados “Pentagon Papers” e a mentira que cruzou quatro gerações de presidentes, que mantinham a guerra no Vietnã com pretextos espúrios. Graças a coragem do The Post, que deu continuidade a matérias censuradas pelo governo norte-americano que estavam sendo exploradas pelo New York Times, tivemos acesso a uma das maiores quebras de paradigmas a partir do Jornalismo. Foi o fenômeno que antecedeu também o caso Watergate, assunto de nosso próximo filme. The Post: A Guerra Secretat concorre ao Oscar nas categorias Melhor Filme e Melhor Atriz (Meryl Streep).

Todos os Homens do Presidente (Alan J. Pakula, 1976)

Um grande clássico do cinema… e também do Jornalismo. Com roteiro baseado no livro homônimo, de 1974, escrito pelos jornalistas envolvidos no caso Bob Woodward e Carl Bernstein. Interpretados por Dustin Hoffman e Robert Redford, novamente do The Washington Post, eles publicam uma série de matérias e detalhes do escândalo de espionagem e lavagem de dinheiro que culminou na renúncia do então presidente Richard Nixon. O longa ganhou quatro Oscar, sendo para Melhor Ator Coadjuvante (Jason Robards), Melhor Direção de Arte, Melhor Som e Melhor Roteiro Adaptado, além de ter sido indicado também nas categorias Melhor Filme, Melhor Diretor, Melhor Atriz Coadjuvante (Jane Alexander) e Melhor Edição.

O Jornal (Ron Howard, 1994)

Um grande diretor e um grande elenco. O filme, no entanto, é a pérola do cinema dos anos 90. Michael Keaton trabalha em um tabloide em Nova Iorque e se vê no clássico conflito profissional de um possível furo jornalístico enquanto sua vida pessoal entra em divergência com o trabalho. Sua esposa é Marisa Tomei (ela mesma!), o dono do jornal é Jason Robards (você leu o nome dele no tópico acima), sua rival é Glenn Close e seu antigo chefe era Robert Duvall. A diferença é o tom. Como a maioria das coisas dos anos 90, aqui é um pouco mais colorido e mais cômico.

O Grande Furo (Woody Allen, 2006)

Ok, talvez jornalismo não seja o grande forte aqui, mas estamos falando de um filme de Woody Allen, então tá valendo. Nele, a estudante de jornalismo (Scarlett Johansson) descobre uma pista sobre um serial killer. Ela segue seus instintos de “foca” (gíria jornalística para os jovens repórteres) e acaba se apaixonando pelo vilão (Hugh Jackman). Um filme típico de Woody Allen.

A Montanha dos Sete Abutres (Billy Wilder, 1951)

Esse é pros fortes e traz ninguém menos que Kirk Douglas (Spartacus, 1960), o pai de Michael Douglas, no papel principal. Ele é o repórter Chuck Tatum, que chega para trabalhar em um jornal local no Novo México. Sem grandes histórias, ele utiliza de técnicas inescrupulosas para contar histórias “sensacionais” em seu jornal a partir de um acidente em uma mina. Um clássico que serve até hoje para os estudantes de jornalismo. Imperdível.

Spotlight: segredos revelados (Tom McCarthy, 2015)

Outro vencedor do Oscar. Levou Melhor Filme e Roteiro Original. Aqui a grande ousadia está em desvendar acontecimentos obscuros envolvendo a Igreja Católica. O jornal em questão é o The Boston Globe, que investiga casos de abuso e pedofilia. A investigação (e as reportagens), além de render o filme, também levou o Prêmio Pulitzer de Serviço Público em 2003. No elenco temos Mark Ruffalo (Vingadores, Thor: Ragnarok), Rachel McAdams (Doutor Estranho), Michael Keaton (sempre nos jornais esse cara!) e Liev Schreiber.

O Abutre (Dan Gilroy, 2014)

Este talvez seja o mais acessível. Está no catálogo da Netflix. Mostra o que acontece quando qualquer um pode achar que é jornalista. Ou seja, uma sequência de amadorismos, desastres e a busca por lucro a partir do sofrimento das pessoas. E claro, tudo possível graças a um editor (Rene Russo) tão abutre quanto o rapaz (Jake Gyllenhaal) que busca ganhar dinheiro até mesmo alterando corpos e pessoas em acidentes e homicídios. Uma aula sobre o que não fazer na profissão.

Boa Noite e Boa Sorte (George Clooney, 2005)

Desde seu início como diretor, George Clooney, já causava uma boa impressão. Seu último trabalho “Suburbicon – Bem-vindo ao Paraíso” é ótimo. E em sua segunda empreitada atrás das câmeras já nos presenteou com Boa Noite e Boa Sorte. O título faz alusão ao bordão usado pelo âncora de TV Edward R. Morrow (David Strathairn) e a história mostra a luta do senador Joseph McCarthy que buscava supostos “comunistas” infiltrados nos Estados Unidos. Após usar seu programa para mostrar e tentar elucidar a questão, Morrow acaba sendo perseguido pelo político, que realmente faz jogo sujo. É uma trama de diálogos pela TV. No elenco, além do próprio Clooney temos Robert Downey Jr., Frank Langella, Jeff Daniels, Patricia Clarkson e David Strathairn.

Quase Famosos (Cameron Crowe, 2000)

Um deleite para quem gosta de música e jornalismo (mais cultural, no caso). Cameron Crowe escreve e dirige um longa fácil de assistir e que ganhou o Oscar de Melhor Roteiro Original. A história é o que todo estudante de jornalismo dos anos 70 gostaria: ter a chance de escrever para a Rolling Stone e de quebra acompanhar uma turnê quase completa de uma das maiores bandas da época. Ideal pra quem gosta de música. Ah, a história é quase autoral, muitas coisas e histórias contadas foram anotadas pelo próprio Crowe, que praticamente era o personagem principal William Miller (Patrick Fugit). Na época ele excursionou com o Led Zeppelin e outras bandas clássicas, ou seja, muitas das histórias loucas (e hilárias) que se passam no filme realmente aconteceram (com aquela dramatizada, é claro). Filmaço.

Frost/Nixon (Ron Howard, 2011)

Mais um pra conta de Ron Howard (diretor que não costuma fazer coisas menos do que ótimas, aliás, ele herdou Solo: Uma História Star Wars). Agora saímos do showbizz e entramos novamente na política. E novamente no escândalo clássico de Watergate, com a dramatização da peça de Peter Morgan (A Rainha e criador da série The Crown) que ilustra a entrevista do ex-presidente Richard Nixon ao jornalista inglês David Frost, fato que teria culminado na quase admissão de culpa do ex-líder dos Estados Unidos. No elenco temos novamente Frank Langella (Nixon) e Michael Sheen (Frost), Sam Rockwell e Kevin Bacon.

O Âncora (Adam McKay, 2004)

Achou que não ia ter comédia pastelão por aqui? Achou errado (INGA, Rogerinho). Will Ferrell faz o que mais gosta, com os amigos que mais gosta. Tira onda de tudo e de todos, e claro, do nosso Jornalismo, que é estereotipado ao máximo em toda e qualquer ocasião. Entram na bagunça Christina Applegate, Steve Carell, Paul Rudd e David Koechner. É outro que vale para saber o que não fazer na carreira de um eventual apresentador de TV.

Feitiço do Tempo (Harold Ramis, 1993)

Clássico de viagem no tempo e das Sessões da Tarde da vida. O “homem-do-tempo” Phil (Bill Murray) vai fazer a cobertura do dia mais legal de todos: O Dia da Marmota, que é quando uma marmota sai da toca e diz como será a previsão do tempo para a próxima estação. Mas alguma coisa dá errada e ele passa a viver o mesmo dia repetidas e repetidas vezes. Um clássico. O jornalismo fica por conta da profissão de Bill Murray. O suficiente para figurar nesta lista.

O Quarto Poder (Costa-Gravas, 1997)

O nome faz alusão ao poder que a mídia, ou o jornalismo, possui na sociedade, em um comparativo aos demais poderes constituídos (Executivo, Legislativo e Judiciário). E na maioria das vezes é com esse poder que a comunicação possui, que uma infinidade de coisas são divulgadas e enfiadas goela abaixo de muitas e muitas nações. E esse poder é colocado em discussão quando um jornalista usa um fato acidental para se auto-promover. No elenco John Travolta e Dustin Hoffmann e o clássico jogo de audiência x sensacionalismo x verdade.

O quinto poder (Bill Condon, 2013)

Nada mais justo do que, depois do Quarto Poder, termos o Quinto, não é mesmo? É com a essência do título anterior que chegamos na história do fundador do polêmico site WikiLeaks, Julian Assange. A plataforma de denúncias anônimas já foi manchete em todo o mundo, principalmente por expor segredos de governos e crimes corporativos. O grau de influência acaba e o site torna-se quase mais importante que a mídia tradicional. O elenco é de responsabilidade: Benedict Cumberbatch, Daniel Brühl, Anthony Mackie, Alicia Vikander, Peter Capaldi, Carice Van Houten e Dan Stevens.

Filme-Bônus

O Mercado de Notícias (Jorge Furtado, 2014)

Por não se tratar de um filme, assim como os demais, fica como bonus-track. O Mercado de Notícias é um documentário do cineasta brasileiro Jorge Furtado, que como poucos consegue dramatizar a peça homônima (de Ben Johnson), passando a criar um paralelo com a história e fatos reais, intercalados por grandes depoimentos de jornalistas brasileiros e casos clássicos do nosso jornalismo e como e de onde pode ter surgido tanto radicalismo no nosso dia-a-dia da atualidade. Isso porque a imprensa, nem sempre segue seus preceitos, mas sim interesses políticos e comerciais. A Vigília Recomenda!