Um Godzilla futurista na Netflix | Crítica

O monstrão que ora você torce, ora você odeia, está de volta. Godzilla: Planeta dos Monstros, 32° filme do personagem, estreou no dia 17 de janeiro na Netflix, apresentando uma space opera filosófica e empolgante. Uma trama envolvendo questões como religião, propósitos de vida, planos maquiavélicos e claro, a batalha dos humanos (e não humanos) contra um monstro gigante compõe o longa-metragem, que claramente quer pegar um público mais jovem, mas não tanto, já que possui uma história densa logo no começo.

A questão do público-alvo ser menos adulto se dá por ser um anime. Claro, no oriente esse segmento não é apenas coisa de criança, longe disso. Mas, como a ideia é vender para o mundo inteiro, por aqui vai atrair bem menos os marmanjos do que a gurizada. Projetado para ser uma trilogia, a produção ficou por conta da Toho Animation e foi animada pela Polygon Pictures, misturando animação com computação gráfica, chegando a um resultado que somente essa combinação poderia nos dar (talvez algumas pessoas não curtam). Tanto na questão de cenários, tecnologias mostradas no filme, e até mesmo na textura do próprio Godzilla, o resultado é único. Aliás, é muito bem retratado que essa criatura está ainda mais enorme (o maior da história, com 300 metros de altura), pesado e instintivo em cada movimento.

Haruo é o protagonista da trama, além de ser o primeiro a descobrir uma forma para derrotar Godzilla.

Ambientado no espaço, a história mostra como o Godzilla devastou a Terra, obrigando os humanos a fugirem do Planeta e começarem uma nova civilização bem longe dali, morando em naves, a procura de um novo local habitável. Depois de 20 anos, somos apresentados ao protagonista Haruo, que viu seus pais serem mortos pelo monstro gigante ainda na Terra, e que até hoje nutre um ódio mortal em seu coração, que já se transformou em fixação pelo extermínio por suas próprias mãos, lembrando até a história de Moby Dick.

Haruo, sempre muito questionador sobre o papel do ser humano e da existência, é preso depois de desobedecer ordens superiores em uma missão, mas mesmo assim consegue com o seu amigo (uma espécie de sacerdote de uma seita alienígena que vive com os humanos remanescentes), dados secretos sobre Godzilla. Assim, o temperamental jovem traça um plano para derrubar o gigante, uma vez que o objetivo dos tripulantes é voltar à Terra e reabitá-la.

Esse é o maior Godzilla já retratado em um filme da franquia, com uma altura de 300 metros.

Na viagem de volta, o lapso temporal faz com que eles cheguem 10 mil anos depois no planeta natal, e para o espanto de todos, Godzilla ainda está vivendo por lá, assim como outros seres similares a ele. É nessa parte do filme que temos mais ação, mostrando uma luta estratégica e que acelera uma história que estava bem parada até o momento. A trilha sonora faz com que a produção tenha vislumbres daquelas aventuras espaciais, mudando totalmente o tom dos filmes da franquia que estamos acostumados a ver, já que praticamente todos os trabalhos envolvendo Godzilla eram em meio aos prédios (de papelão e isopor) sendo destruídos, similar aos Tokusatsus.

O final deixará todos boquiabertos, e esperando pela continuação, intitulada Godzilla: The City Mechanized for the Final Battle, que está programada para estrear em maio de 2018 nos cinemas japoneses. É sempre bom ouvir o grunhido característico de Godzilla, ainda mais se reinventando depois de tanto tempo, quando foi lançado em 1954. Vamos esperar para ver se os outros dois filmes manterão esse nível, se mostrarão um ritmo mais frenético e se responderão todas as lacunas deixadas desse primeiro longa-metragem.

Veredito da Vigília