Deus salve o Rei, começou o “Game Of Thrones” brasileiro

Vamos lá: depois de muito anos, ganhei a missão de assistir um capítulo de novela. Deus Salve o Rei, nova produção das 19 horas da Rede Globo, estreou na terça-feira, dia 9 de janeiro e estava com cotada na internet para ser o “Game Of Thrones” brasileiro.

E preciso confessar que fiquei impressionada. Escrita por Daniel Adjafre e com direção artística assinada por Fabrício Mamberti, a produção da novela pode ser aplaudida de pé. O universo medieval é desenhado de uma forma que impressiona o espectador em casa. A trilha sonora ajuda a construir esse universo. São dezesseis músicas na trilha sonora, que foram gravadas por 70 músicos da Orquestra Filarmônica da Cidade de Praga, na República Tcheca. Os figurinos, que demonstram uma dedicação e um cuidado da equipe, precisam de elogios também. A abertura, muito similar ao seriado “matriz”, tem seu tema de abertura cantado pela norueguesa Aurora, que adaptou a música Scarborough Fair, originalmente cantada por Simon &  Garfunkel. Para as alocações, uma cidade cenográfica de 1,8 mil metros quadrados com um cenário fixo e dois grandes galpões foi construída, e é finalizada com imagens de castelos, muralhas, vilas e pastos, feitas na Europa e inseridas pelo recurso do chroma key, o clássico fundo verde. Uma produção nunca antes vista na televisão brasileira.

Já a trama, pelo que podemos ver em seu primeiro capítulo, é muito mais previsível como uma novela, do que uma cópia de Game Of Thrones. Porém, tem partes instigantes e foi bem amarrada, pelo menos nesse início. Claro que a mídia especializada já havia nos contado tudo o que não procuramos saber sobre a novela, como sempre acontece. Para quem não sabe do que se trata a novela, Deus Salve o Rei conta a história do príncipe Afonso (Rômulo Estrela), que decide renunciar ao trono de Montemor depois de se apaixonar pela plebeia Amália (Marina Ruy Barbosa). O primeiro capítulo terminou com Afonso sendo encontrado, machucado e desacordado por Amália. Já descobrimos também que o irmão de Afonso, Rodolfo (Johnny Massaro), é um festeiro de marca maior e, claramente, não está preparado para assumir o trono que a avó deles, interpretada por Rosa Maria Murtinho, deve abandonar em breve por estar com uma doença muito similar ao Alzheimer.

No reino de Artena, que será o rival de Montemor, temos a vilã da novela, Catarina, vivida por Bruna Marquezine, que protagonizou, já nesse primeiro capítulo, uma “semi-nudez”. E provavelmente, essa parte a Rede Globo ficará devendo aos espectadores, por causa do horário da trama. O pai de Catarina é o Lineu, da Grande Família. Ou melhor, é o experiente ator Marco Nanini, e parece que até ele vai padecer na mão da menina.

Um dos momentos altos da trama foi quando Amália driblou seu namorado, vivido pelo português Ricardo Pereira. O namorado da moça fez uma proposta indecente: quis comprar a barraca de caldos e sopas que ela possui para que Amália tenha mais tempo com ele. Com uma pitada de Girl Power, vemos uma negativa da jovem, que ficou ofendida com a oferta. E nós vibramos!

Definitivamente, fazia tempo que não via uma novela deste horário ser tão debatida no Twitter. Se ela foi pensada para jovens que gostaram de Game Of Thrones, acertaram em cheio na produção. Apesar das piadas prévias, ficamos com um gostinho de quero mais e com uma vontade enorme de assistir as cenas dos próximos capítulos.

Veredito da Vigília
  • Sena Daniel E. Haag

    Eu só não assisti ainda porque acreditei que seria aquele clichê das novelas da Record 😛 ..Mas depois de ter lido a crítica criei coragem para encarar e conferir…;)