Devilman Crybaby – O demônio que chora pelas dores dos outros | Crítica

Novo Anime da Netflix é apelão e decepciona no final

Texto de Jorge Boruszewsky

Para comemorar os 50 anos de carreira do mangaká Go Nagai, a Netflix lançou no dia 5 de janeiro a sua primeira produção em animação japonesa. Devilman Crybaby é a versão modernizada de Devilman de 1972, principal obra do autor. Com a tecnologia bastante presente, tanto na interação entre os personagens como no desenrolar da trama, a história continua com a mesma essência da original: violência extrema, conteúdo erótico (aqui um pouco além da conta) e temas sociais.

Nessa releitura, (já que esse mangá já foi várias vezes adaptado para animes, crossovers e possui até uma versão live-action), conhecemos o estudante do colegial Akira Fudo, que após ter um reencontro com um antigo amigo de infância, Ryo Asuka, descobre que os demônios estão vivendo entre os humanos, e que o único jeito de combatê-los é se tornar um deles, porém, sem deixar se controlar. Após um plano nada convencional de Ryo, Akira é possuído pelo demônio Amon e se torna o tal Devilman, enfrentando dali para frente vários outros seres malignos, em nome do bem da humanidade.

Devilman Crybaby é a versão modernizada da obra Devilman de 1972


Akira tem mudanças físicas visíveis, inclusive passando a ser um exímio atleta e figurando entre os principais membros da equipe de atletismo da escola. Equipe essa que tem como protagonista, Miki Makimura, garota cuja família adotou Akira, já que seus pais estão sempre viajando em função de suas pesquisas. Miki também é o par romântico de Fudo. Outros personagens como Koda e Mi-Ko também vão se juntando a Devilman na batalha contra os demônios, além claro, de Asuka, que continua com métodos nada ortodoxos para lidar com as situações envolvendo o combate as forças das trevas.

Por se tratar de uma história com uma roupagem mais atual, os valentões da escola foram substituídos por jovens com um visual de rappers, bem ao estilo gangster. Mas aqui eles vão ficando bonzinhos conforme a trama avança. Suas intervenções rimando e fazendo músicas de improviso, utilizando como inspiração críticas sociais e assuntos que merecem ser denunciados, são um dos pontos fortes da animação. O fan-service dedicado à obra orginal também é outro ponto forte. Mesmo que por vezes seja escancarado e totalmente fora de contexto, inserir imagens do antigo Devilman foi uma ótima sacada. As lutas também estão muito boas. As cenas impactantes como de mutilações, tiroteios e das brigas em geral foram bem produzidas.


Devilman Crybaby foi dirigido por Masaaki Yuasa em seu estúdio, o Science SARU. Ichiro Okouchi é o responsável pelo roteiro e Eunyoung Choi foi o produtor de animação. Aniplex e Dynamic Planning produziram o anime. Por ter sido feito em um estúdio ‘alternativo’, o traço de Devilman pode não agradar aos olhos dos telespectadores logo de cara. Planos mais abertos e até mesmo planos médios parecem inacabados e simples demais. Quando passam para os planos-detalhes ou primeiro plano, a arte fica melhor. Ausência de contrastes e sombras também ficam bem evidenciadas. A anatomia dos personagens também pode incomodar um pouco. Em especial quando eles estão correndo nas competições de atletismo ou durante as lutas.

Outra parte negativa é a exposição exagerada dos corpos femininos. Que a história de Devilman, tanto no mangá, animes ou nos OVAs possuem cenas com esse tipo de conteúdo todo mundo já sabe. Porém, aqui elas me parecem sem função, simplesmente para entretenimento fútil. As cenas de sexo (inclusive no meio das lutas) também não acrescentam na maioria das oportunidades. Parece tirar o foco da história. Aliás, até o meio do anime, lá pelos episódios 5 e 6, temos basicamente muita coisa que também pode ser conferida nos OVAs Devilman The Birth (1987) e Devilman The Demon Bird (1990), que mostraram histórias mais bem construídas e não tão “jogadas”, como temos agora.

O final, como já era de se esperar, é bem pessimista e um pouco decepcionante. Tirando o plot-twist um pouco manjado, mas que ainda assim funciona, a última parte não empolga em nenhum momento. É uma sucessão de situações sem nenhuma perspectiva de mudança, o que frustra aquele que passou dez episódios torcendo nessa batalha do mal contra o mal.

 

Veredito da Vigília
  • Samuel Ives

    Esse foi o final mais bosta que já vi em anos, esse anime superou akamega kill em termos de decepção