O Estrangeiro | Crítica

Jackie Chan é um cara querido por todos e uma máquina produtiva do cinema. Ele já fez de tudo um pouco, mas poderia se poupar de alguns micos, como no caso de O Estrangeiro. O filme entra em cartaz no Brasil dia 11 de janeiro é dirigido por Martin Campbell (007 Cassino Royale) e conta ainda com o veterano Pierce Brosnan. Os dois duelam para ver quem tem a pior atuação no filme, com uma forte concorrência do elenco de apoio. É dureza.

Até aqui, o filme ia bem…

Baseado no livro The Chinaman, de Stephen Leather, o filme até teria estofo para segurar um bom thriller de ação. Ele conta a história de Quan (Chan) um pai e dono de restaurante que perde a filha em um atentado terrorista em Londres. Mas infelizmente, o “bom thriller de ação” não se confirma. E olha que pelos trailers e pelo início do filme, ele pode até enganar, antes de entrar numa espiral de desgraças que pode arrancar risadas pela falta de conexão e forma narrativa escolhida. Foi o meu caso.

Pierce Brosnan não acerta nada em ‘O Estrangeiro’

Em busca de vingança, Quan (Chan) não poupa esforços em saber os nomes dos terroristas autores da tragédia que dizimou a última parte do que ele tinha de uma família. Por outro lado, Brosnan encarna um irlandês ex-terrorista que, agora com o importante cargo de primeiro-ministro, tenta agir nos bastidores para garantir suas mordomias e ofuscar o atentado, que cai no colo do governo da Irlanda. E aí começa a bagunça toda. Com destaque pelo terrível sotaque irlandês de Brosnan, que amarga uma atuação que não convence ninguém. Ao mesmo tempo, um esforçado Jackie Chan já começa a ficar caricato como no auge de seus filmes de ação farofa. Algum problema nisso tudo? Sim, porque a produção desde sempre se vendeu como um filme mais profundo.

Olhe para a cara do Jackie Chan nessa foto. Ela resume o filme.

No final das contas, o passatempo vai ser apenas saber como toda a ‘engronha’ vai se resolver. Isso porque o cozinheiro de 60 anos interpretado por Chan começa a fazer coisas tão incríveis sem a menor explicação logo após perder a filha. Já a trama “política” vai apenas mostrando o quão incompetentes podem ser os guarda-costas de uma das pessoas mais importantes da Irlanda ao serem perseguidos por um idoso. Mas calma que tudo pode piorar. Para explicar tais fatos, no último terço do filme descobrimos que Quan é um dos militares mais perigosos que poderia existir: um ninja misturado com Rambo e McGyver. A parte mais “política” vai para o espaço quando tentam dar a ela ainda um subnível de traição familiar totalmente aleatória e inconsistente. Sério, fica bem difícil. Estamos na primeira semana de janeiro e já podemos imaginar que este filme pode facilmente figurar ao prêmio Framboesa de Ouro. Triste.

Veredito da Vigília