O Destino de Uma Nação | Crítica

Gary Oldman em um filme totalmente voltado para sua atuação, já mirando o Oscar. Assim é “O Destino de Uma Nação” (Darkest Hour) que estreia no Brasil no dia 11 de janeiro. A direção é de Joe Wright (Anna Karenina, Orgulho e Preconceito) e retrata um dos fatos mais marcantes da Segunda Guerra Mundial: a batalha política de Winston Churchill (Oldman) pela manutenção do enfrentamento britânico frente aos nazistas e o resgate de 300 mil soldados na batalha de Dunquerque (fato que gerou também o ótimo Dunkirk, de Christopher Nolan, que também deve figurar entre os indicados ao Oscar). O fato também foi retratado durante a primeira temporada de The Crown. Recheiam o núcleo central do filme a atriz Lily James (Em Ritmo de Fuga), Kristin Scott Thomas, Ronald Pickup e Stephen Dillane.

Marido e Mulher: Kristin Scott Thomas e Gary Oldman em O Destino de Uma Nação

Tudo que cerca o filme está amparado em uma experiente equipe de comando, a maioria já indicada ao Oscar por Roteiro e outros aspectos técnicos. Tudo isso traduz o capricho da obra, visto desde a primeira aparição de Churchill, retratado em um canto escuro e acendendo um de seus charutos com uma chama avermelhada. A partir dali, mergulhamos no romance histórico-fictício de um dos estadistas mais famosos do mundo. Curiosamente, ele é alçado para o cargo de primeiro-ministro do Reino Unido em um dos momentos em que ninguém gostaria de ser. Como diria o Capitão Nascimento: “Caí pra cima”.Excêntrico, irônico e cheio de bravatas, ele rouba a cena sempre que está em tela, mesmo que embaixo de uma expressiva maquiagem.

Lilly James é a secretária do excêntrico Primeiro-Ministro Winston Churchill

Apesar de caprichado, O Destino de Uma Nação vai ser lembrado quase que unicamente pela imposição de Oldman. O filme não tem a força que Spielberg conseguiu colocar em Lincoln (2012), por exemplo, para citar também um fato histórico de uma figura política no cinema, nem tão pouco a simpatia de um Todos os Homens do Presidente (1976), ou mesmo um JFK (1991). Pelo contrário, por vezes é arrastado, mas respira toda vez que Churchill está em situações limite. Por outro lado, o elenco de apoio dá a sustentação necessária para que você simpatize com a secretária Elizabeth (Lilly James) e não goste das rasteiras políticas dos adversários Halifax (Stephen Dillane, o Stannis Baratheon de Game Of Thrones) e Chamberlain (Ronald Pickup).

Gary Oldman, desde as primeiras cenas já avisa: “Este filme é meu”.

Basicamente Churchill usou a política para manter o Reino Unido realmente unido. E fez isso muitas vezes não sendo o representante mais sincero de todos (afinal, qual político é?). O poder da palavra foi o que prevaleceu com a sua atuação política, que ao final de tudo, se mostrou nacionalista e vitoriosa. Curiosamente o título do filme em Português é o que acaba se distanciando da própria narrativa. O tal “Destino da Nação” acaba sendo retratado sem envolver muito a própria população, mas sim um único personagem, que, lá pelas tantas, fortalece seu ponto de vista em uma rápida visita a outro importante orgulho britânico: o metrô. Por tudo isso, O Destino de Uma Nação sempre será lembrado como o filme de Gary Oldman.