Star Wars: Os Últimos Jedi | Crítica Sem Spoilers

Chegou o momento. Star Wars: Os Últimos Jedi está nos cinemas para dar continuidade a nova trilogia de um dos maiores fenômenos da cultura pop mundial. E dessa vez, o produto final do diretor Rian Johnson veio como o “diferentão”. Apesar de ter tudo (ou quase tudo) que a saga tradicional pede, o novo capítulo da luta entre a Primeira Ordem e a Resistência vem com um tom fora da caixinha e bem destoante do resgate que vimos em O Despertar da Força com J.J. Abrams. Esqueça a fórmula original de George Lucas. Os Últimos Jedi tira os fãs da zona de conforto e pode dividir muito a opinião. Ao mesmo tempo que é interessante e ousado, traz momentos quase épicos e outros bem dispensáveis.

Rey e Luke em um relacionamento que não vai começar bem

A primeira impressão ao sair da sala de cinema é de muita informação para absorver. Também pudera, Os Últimos Jedi é o Star Wars com maior tempo de duração entre todos já realizados (2h32). O trabalho de Rian Johnson mescla tons épicos, novidades, um filme de fuga quase frenética e alívios cômicos um pouco duvidosos. Logo de cara algumas coisas saem do tom tradicional e a impressão é de que podemos estar diante de um Thor: Ragnarok de Guerra nas Estrelas. Mas não chega a tanto. Ao que tudo indica, o resultado final parece ter agradado os chefões da LucasFilm e Disney. Não é por acaso que Johnson já está confirmado a frente de uma trilogia paralela dos personagens que cercam a luta de equilíbrio e o balanço da Força, Jedi(s) e da galáxia tão, tão distante (confira aqui).

A trama da vez joga a Primeira Ordem, agora quase absoluta nas Galáxias, fechando o cerco contra a Resistência. Leia Organa (Carrie Fisher), Poe Dameron (Oscar Isaac), Finn (John Boyega) e Rey (Daisy Ridley) tentam fazer frente ao poderio e o gigantesco exército do Líder Supremo Snoke (Andy Serkis) – que vai ter seu momento WHAT?!?! – e seu pupilo Kylo Ren (Adam Driver) e o general Hux (Domhnall Gleeson). E para isso eles buscam, como visto ao final de O Despertar da Força, a ajuda do mestre Jedi Luke Skywalker (Mark Hamill). Mas ele parece não estar ligado a causa e quer permanecer recluso em sua ilha. Apesar dos grandes momentos reservados aos astros da trilogia original, Mark Hamill e Carrie Fisher parecem mais caricatos, e em certos momentos destoam de uma interpretação razoável. O tom caricato também é visto no General Hux, com caras, bocas e sotaques.

Kylo Ren, novamente dividido entre a luz e as sombras

O filme acaba sendo quase em sua totalidade uma história de fuga. Oscilando momentos fortes, como o arco inicial e nas batalhas no espaço, além da(s) surpresa(s) Jedi, que não vamos  entregar aqui, e toda a lição que ela nos traz, com momentos bem inconstantes, como na subtrama de Finn e a nova personagem Rose (Kelly Marie Tran). Nela vemos envolvidos ainda um tal de DJ (Benicio Del Toro), bem esquecível, e a tão marcante (pelo menos no visual) Capitã Phasma (Gwendoline Christie), que também surgiu para a nova trilogia como uma promessa que não se cumpriu. Dameron (Oscar Isaac) também acaba sendo um personagem que não vamos guardar por muito tempo, e tem um desenvolvimento que vai se esvaziando cada vez mais. Entre os novos personagens, se salvam Amilyn Holdo  (Laura Dern) que é responsável por um dos melhores momentos do filme (preste atenção, você vai se surpreender) e os Porgs, os novos bichinhos que fazem Chewbacca rever sua dieta. O já famoso droide BB-8 também vai se superar e não terá uma, mas várias cenas (e vai ultrapassar os limites dos droides desse mundo que conhecemos).

BB-8, o droide que rouba a(s) cena(s) e salva o dia (muitas vezes).

O grande mérito de Johnson em Os Últimos Jedi é deixar o espectador sem saber o que esperar. Principalmente com a dupla Rey e Kylo Ren. Em certos momentos você vai ficar confuso em meio a tantas reviravoltas. E isso nos joga para situações realmente surpreendentes e uma das melhores cenas de lutas com sabres de luz. O filme vai dando a impressão de que cada vez mais coisas vão acontecer, até que finalmente chega a seu desfecho, com ares quase épicos. Nesse momento, faltou um pouquinho para sermos presenteados por completo com cenas que esperávamos ver de Luke desde a trilogia original. Mas isso tudo não tira o fato de estarmos frente a mais uma história Star Wars. Já queremos repetir a dose.

Veredito da Vigília