A Morte Te Dá Parabéns | Crítica

Uma mistura de terror e comédia que resulta em um filme com uma clássica lição de moral

Uma coisa que a Vigília sempre deixou bem claro é o seu gosto por Viagens no Tempo. E portanto, isso nos leva a uma análise diferente de A Morte Te Dá Parabéns (Happy Death Day), que estreia no Brasil no dia 12 de outubro. E apesar de passar longe, mas bem longe de ser um grande filme, ele vale por dois momentos: sua lição de moral (galhofa, mas válida) e por resgatar O Feitiço do Tempo (Groundhog Day, o clássico com Bill Murray e que muita gente da nova geração não conhece). Pegue a pipoca e desligue a chave crítica, vai ser bem melhor assim.

Vendido justamente como um terror que mistura O Feitiço do Tempo com Pânico, e os produtores e autores não tem nenhum problema em admitir isso – até porque ficaria bem ruim dizer o contrário – o longa vem pra preencher aquela lacuna de filmes adolescentes. Sem qualquer explicação, a nossa protagonista Tree (Jessica Rothe, que passou rapidamente por La la land) é assassinada, mas ao invés de passar dessa para a melhor (ou pior), ela acaba acordando no mesmo dia de sua morte, que é também o seu aniversário. Ou seja, é Feitiço do Tempo na veia (e com sangue). Outro filme com essa premissa foi No Limite do Amanhã (com Tom Cruise), mas essa é outra história.

Revivendo várias vezes o mesmo dia, ela percebe o quanto o seu comportamento é escroto com os outros. Além disso, ela tenta de várias formas, e na maioria delas frustrada, descobrir quem é o seu assassino e os motivos para que ele queira sua morte. O plot só já é um prato cheio para várias situações. O início com mais suspense e sustos dá lugar à comédia, e mesmo a protagonista não sendo lá essas coisas, com o tempo ela vai funcionando. Jogue-se aí cenas bem acertadas e outras bem esquecíveis. E aqui ela reparte a cena com o affair Carter (Israel Broussard) e as estereotipadas “irmãs” da comunidade da faculdade. O clássico clichê das patricinhas. Vai e vem, ela vai riscando sua lista de suspeitos, mas é cada vez mais difícil achar o responsável.

A jornada vai fazendo com que Tree passe de menina odiada e traumatizada para uma pessoa melhor, e esse crescimento é de certa forma bem aceitável. Sua personagem ganha um pouco de profundidade ao descobrirmos um pouco de seu passado e sua família. Até que somos jogados a uma solução que quase beira o absurdo. Ficamos nos perguntando: “nossa, esse vai ser o desfecho da história?”. Mas, tudo é um despiste, e de certa forma somos surpreendidos. Não que o plot-twist chegue aos pés de um M. Night Shyamalan, mas só o fato de ter a expectativa quebrada já é um alívio. Outros fatos interessantes que podem despertar o interesse pelo filme são: (1) o diretor Christopher London é o mesmo de Como Sobreviver a Um Ataque Zumbi e Atividade Paranormal: Marcados pelo Mal, o que explica muitas das iniciativas. E (2) para quem gosta de quadrinhos, um dos roteiristas é Scott Lobdell, responsável por inúmeras aventuras dos X-Men e principalmente pela série animada dos anos 90.

Mas se falta empatia em um contexto geral, a produção abre um leque de simpatia justamente por fazer as homenagens aos filmes já citados. Não dá pra deixar de curtir os momentos finais. Bill Murray que o diga. No final das contas, A Morte Te Dá Parabéns entraria muito mais na nossa lista de Filmes Trash, do que na lista de Filmes de Terror. Então, se você não se importa com coisas bem infames, pode assistir sem culpa. E não se esqueça, aproveite o seu dia como se fosse o último.