Liam Gallagher – “As You Were” | Crítica

Sabe como é: tão fervorosos quanto os fãs de Oasis são os haters de Oasis. E tão fervorosos quanto fãs e haters de Oasis são os que se dividem entre #teamLiam e #teamNoel. Então, partindo deste princípio, já sabemos que quem se aventura a navegar nesse mar sempre estará sujeito às intempéries. Então, lá vou eu caminhar nessa prancha de navio de pirata.

O fato é que, com o fim do Oasis, pensei que quem se sairia melhor nessa disputa entre irmãos seria o Noel, afinal, ele era o compositor da banda. Por um tempo, achei que os discos solo do Noel eram superiores aos do Liam com o Beady Eye. Isso até ano passado, quando me interessei tardiamente pelo BE, segundo álbum da banda do caçula. Fiquei obcecada pela canção “Don’t Brother Me” e comecei a considerar que essa balada do Beady Eye era algo que Noel ainda não tinha conseguido compor na fase ‘solita’, por exemplo (e já fui duramente criticada por essa minha opinião).

Sinceramente, logo que foi anunciado o disco solo do Liam, eu não esperava muita coisa. Mas, à medida que os singles foram lançados, em especial, o segundo, Chinatown, comecei a ficar mais atenta. E também mais feliz, porque faz parte da minha natureza torcer por aqueles que são considerados os azarões.

Produzido por Greg Kurstin (Adele, Beck, Foo Fighters), “As You Were” é um registro que segue a cartilha do britpop, com momentos de humor britânico, de alfinetadas irônicas e arranjos melódicos. E, apesar da postura topetuda e arrogante do Liam, não, esse não é um disco pretensioso. É direto e cheio de energia, sem muitos rodeios. Enquanto o último disco do mano mais velho arriscava no campo do space jazz, em sua estreia, Liam optou por aquilo que lhe é mais confortável (e porque não dizer, sincero): um trabalho mais rocker, descaradamente influenciado por John Lennon.

Se você está procurando grandes poesias nas letras de “As You Were”, esqueça, não vai achar. No entanto, vai encontrar uma coleção de refrãos que grudam na cabeça. Enquanto “Wall of Glass”, “You Better Run”, “Greedy Soul” e “I Get By” são músicas com certa vocação para estádios, Liam não deixa por menos nas baladas “Paper Crown”, “When I’m In Need” e “I’ve All I Need”. Pra mim, o grande destaque do álbum fica por conta de “Chinatown”, com seu arranjo mais acústico e um quê de nostalgia. Uma pena só que a letra fica devendo, já que a canção parece apontar para uma pequena reflexão sobre o “homem europeu”, mas se perde no meio do caminho.

 

Não há grandes reinvenções nesta estreia de Liam Gallagher, mas há uma verdade muito sua neste álbum. Em um mundo cada vez mais propenso aos disfarces, por vezes ser fiel às suas referências pode soar mais sincero do que muita obra rebuscada por aí. E que bom que Liam voltou com tudo.

PS: e a julgar pelo teaser do novo disco do Noel, que chega em novembro, podemos esperar mais um trabalho “experimental” do rapaz. Acho que teremos uma boa briga entre os manos de novo.

 

Veredito da Vigília