Blade Runner 2049 | Crítica

Blade Runner 2049 veio para marcar ainda mais um clássico do cinema. O fã mais acintoso do cult/clássico de Ridley Scott pode ficar sossegado. Dificilmente alguém vai torcer o nariz para a nova produção. Denis Villeneuve, que já havia se consagrado com a ficção “A Chegada (2016)” – A Vigília Indica! -, não só respeita todo o universo original, como nos conduz para paradigmas tão fortes e tão marcantes quanto o Blade Runner, O Caçador de Andróides, de 1982. O novo episódio de uma marca do cinema contemporâneo vem com homenagens, referências, enquadramentos, cores, continuidades e motivações que nos intrigam e nos fazem pensar.

Denis Villeneuve assume o comando dos astros Harrison Ford e Ryan Gosling

E tudo isso é prova de que podemos sim ter bons materiais, mesmo mexendo naqueles clássicos que guardamos dentro das redomas mais preciosas, seja na mente ou no coração. Obviamente não vence a obra-prima de 1982, mas resgata o universo com muito mais propriedade do que antes visto em Star Wars: O Despertar da Força, para ficar nos exemplos recentes. Também não força a barra como um remake caça-níquel. É uma homenagem certeira e com assinatura própria.

Em Blade Runner 2049, o embate entre Replicantes e a humanidade está a um passo de tomar proporções trágicas. Somos introduzidos a um novo Blade Runner, na pele de Ryan Gosling (La la land: Cantando as estações). Ele é K, e busca, tal como Harrison Ford no original, androides que se negam a ser “aposentados”. E as cenas que temos para apresentar esse novo protagonista são dignas de destaque, mas para outro ator: Dave Bautista. O Draxx de Guardiões da Galáxia está lá, em participação pequena, mas marcante. É ele quem introduz a ideia de que o mundo procura por um “milagre” ocorrido há cerca de 30 anos atrás. E é esse “milagre” que vai delinear todo o embate desse novo cenário e restabelecer ainda com mais força o muro que divide o mundo. Androides, mesmo contra sua própria vontade, precisam ser eliminados, e humanos, por não saberem conduzir suas criações, são aqueles que tomam as decisões mais desumanas. Temos então de volta a tônica dos “mais humanos do que os humanos”.

Los Angeles sombria e com as suas “marcas” reluzentes

As pistas após levar Sapper Morton (Dave Bautista) para a “aposentadoria”, vão sendo vasculhadas por K e sua chefe, Joshi (Robin Wright, de House Of Cards). E tudo nos leva a crer que o tal “milagre” (vou cuidar com os spoilers) está mais perto do que se imagina. A caçada torna-se uma grande busca por identidade e por uma vida que possa ser verdadeira. E aqui notamos que os roteiristas e Villeneuve não tiveram pressa na condução da narrativa. São muitas cenas gastas para nos fazer pensar no que realmente K é, ou pode ser.

Mas Denis Villeneuve sabe. Villeneuve manja, e talvez o gênero onde ele tenha se saído melhor tenha sido realmente a ficção científica. Ele transita muito bem nessa área e recria tudo que se espera de um filme com a marca Blade Runner. As cidades estão lá, a chuva é presente e as cores marcam a tônica dos personagens, para o bem ou para o mal, os androides e efeitos especiais realmente enriquecem a produção. Além de Los Angeles, como no original, com seus prédios imensos, propagandas características e modernas, e sempre sombria, agora temos também outros dois cenários novos: uma Las Vegas desértica e arenosa (justo) e San Diego, onde são empilhadas sucatas e muitos humanos. Ainda nas atuações, temos a presente Joi (seja bem-vinda Ana de Armas), uma evolução de brinquedos que só humanos podem fazer, a vilanesca Luv (Sylvia Hoecks), Jared Letto como Niander Wallace, exalando uma mistura de loucura e sede de poder, Mackenzie Davis (você vai lembrar dela do episódio San Junipero, de Black Mirror) pontual e, claro, Harrison Ford, o elo entre 1982 e 2017. Sem estrelismo, ele entrega o que esperamos dele.

Harrison Ford é o elo entre 1982 e 2017 (ou melhor, 2049)

Blade Runner 2049, como falei antes, é aquele remake que mexe em algo sagrado dentro do cinema e nos fãs. Aquele filme que a gente chega a torcer o nariz por abrir uma camada profunda e tocar aquele tesouro mais escondido. Mas é o resgate preciso e necessário. A reflexão que ainda persiste e a produção que gostamos de ver. E vale cada minuto de suas 2h43. Só não ganha 5 estrelas porque elas ficam com o original. Fecho com um 4,8.

 

Veredito da Vigília
  • Gê Mendes

    UUoouuuu….veremos…. (Villeneuve ruleessssss)!!!

    • Robson Francisco Nunes

      Villeneuve manja!

  • Gabriel Dias

    Pq eu nunca havia entrado aqui, hein? Estão muito bons teus textos Robson. Abraço

    • Robson Francisco Nunes

      poxa, que legal ler isso hein! Sinta-se à vontade para voltar todos os dias e comentar com os amigos 🙂 A Vigília Não Para!

      • Gabriel Dias

        Provavelmente tu não ligou o nome a pessoa, mas é o teu amigo de tempos atrás da Unisinos. Publicitário, colorado. Teu ex-vizinho! Abraço

        • Robson Francisco Nunes

          Eu desconfiei sim, mas sem foto não tive certeza! Até pq sofremos do mesmo mal (Robson Nunes, pode ser qualquer um, ehehhee, Gabriel Dias então, ehhehe). Mas que massa que tu descobriu a Vigília! Demais mesmo, até pq acho que ela nem existia quando falamos na última vez. 🙂

  • klaus

    modo ansioso: ON