Jogo Perigoso | Crítica

IT: A coisa, Torre Negra, O Nevoeiro. Esse ano fomos brindados (ok, nem tudo deu tão certo assim) com várias produções adaptadas das obras de Stephen King (e vem mais por aí hein). Na sexta-feira, dia 29 de setembro, estreou na Netflix o filme Jogo Perigoso (Gerald’s Game). O filme, original do serviço de streaming, é baseado na obra do grande escritor e surpreende, positivamente.

O filme conta a história do casal Jessie (Carla Gugino) e Gerald (Bruce Greenwold). Gerald resolve apimentar o casamento com um jogo envolvendo algemas, na casa de campo do casal. Mas tudo dá errado e ele acaba infartando, deixando a mulher presa na cama. Exatamente. Ela fica presa na cama, no meio do nada, sem ninguém próximo para escutá-la.

A partir daí vemos um bom jogo psicológico, de Jessie, com ela mesma, com o marido morto (que está sendo devorado pouco a pouco por um cachorro) e os resgates de suas piores memórias. Vemos uma mulher que foi submetida a diversos relacionamentos abusivos, que está vivendo o que poderia ser o final dos seus dias.

Dirigido por Mike Flanagan, Jogo Perigoso nos deixa tensos e enojados. Não temos tripas, sangue e tiros explodindo na tela. Mas temos um drama de uma mulher que passou por muitas coisas, e, por causa disso, tem vários traumas. E quando esses traumas são revisitados, fica fácil sentir nosso estômago embrulhar. Sem contar que somos expostos a um clima de tensão que faz jus ao autor da obra.

Com cores que poderiam ser de um filme espanhol, com detalhes destacados em vermelho, principalmente na cena do eclipse, e tons sóbrios, a fotografia dá o aspecto dramático que o filme merece.

Sem preocupações com alocação e figurino, muito menos com elenco, já que cerca de 70% de Jogo Perigoso se passa dentro do quarto, o filme explora diálogos e entrega um roteiro conciso, rápido, progressivo e absurdamente dramático, que comete alguns deslizes, mas nada que comprometa a obra. A Vigília alerta: você vai se afeiçoar por Jessie e vai torcer para que ela consiga sobreviver ao caos que sua vida virou.

Não tão grandioso como IT, o filme, que tem cara de produção independente, surpreende pelas atuações do elenco. Jogo Perigoso pode ser listado como uma das boas adaptações de Stephen King. Prepare-se para o susto e para quase duas horas de tensão e estômago embrulhado.

Veredito da Vigília