O Nevoeiro | Crítica

O que aconteceria se pegássemos as perguntas sem respostas de Lost, com os monstros do universo invertido de Stranger Things e os problemas de relacionamento de Ensaio sobre a Cegueira? A resposta é a seguinte: O Nevoeiro (The Mist), a série da Netflix.

Inspirada na obra de Stephen King, a série homônima é uma produção do serviço de streaming e estreou em agosto de 2017. Com dez episódios de cerca de 40 minutos, a série não mostra a que veio. Confusa, com atores fracos e com um enredo que mais pergunta do que responde, O Nevoeiro nos dá a impressão de algo inacabado.

Stephen King já havia tido esse conto adaptado para os cinemas em 2007. O Nevoeiro conta a história de uma névoa inexplicável que invade toda uma pequena cidade dos Estados Unidos. Quando aquele fenômeno toma conta do vilarejo, os moradores ficam onde estão e procuram abrigo. Alguns mais destemidos, enfrentam o nevoeiro e, em sua maioria, levam a pior para o fenômeno. A série é quase uma telenovela: é dividida em três núcleos. Esses três núcleos funcionam por localização. O primeiro, que une as pessoas na delegacia e cria um grupo que sai e vai nos contando a história, tanto do passado quanto do que está acontecendo atualmente na cidade. Liderado por Kevin (Morgan Spector), um pai de família que está procurando sua esposa e sua filha, o grupo conta também com Adrian (Russell Posner), o melhor amigo da filha de Kevin e dois prisioneiros da delegacia, Bryan (Okezie Morro), um soldado que perdeu a memória, e Mia (Danica Curcic), uma moça viciada em drogas. O outro núcleo fica no shopping da cidade. Lá estão Alex (Gus Birney) e Eve (Alyssa Sutherland), a filha e a esposa de Kevin, respectivamente, e vários outros moradores. É lá onde acontecem os maiores conflitos no estilo Ensaio sobre a Cegueira, afinal, são pessoas restringindo mantimentos e obrigadas a conviver no mesmo espaço, com algo inexplicável acontecendo. O terceiro núcleo se passa em uma igreja. Neste local, Nathalie, uma senhora de idade, que respeita muito a natureza, questiona o tempo inteiro o que é aquilo. Junto com ela está o xerife, Connor (Frances Conroy), o Padre Romanov (Dan Butler), que tem certeza que o mundo irá acabar, e alguns fiéis que lá estavam na hora em que tudo aconteceu. Mas não é só isso! Mais um local aparece na história e nos deixa ainda mais confusos. Quando a trama chega no hospital, ficamos sem saber o que pensar. São tantos plots desorganizados que nos perdemos, verdadeiramente, na série.

De todos os personagens, o único que convence é Kevin. É apenas por ele que torcemos. Os demais personagens estão tão mal interpretados que não cativam. Inclusive, não nos compadecemos nem das mortes das crianças. São realmente atuações precárias. Os plots todos da série são incompreendidos e rasos. Questões como estupro, homossexualidade, paternidade, religião, tudo é abordado superficialmente e são tantos aspectos que não conseguimos focar apenas em um só. A produção, em si, peca em vários aspectos. Esqueceram como fizeram o universo invertido de Stranger Things e fizeram um nevoeiro digno de produções de baixíssimo orçamento (uma tônica que vem se repetindo na Netflix).

A série começa bem, em seu primeiro episódio. Mas depois, perde para a obviedade. Para a mesmice. Nada surpreende, nada assusta. Nem tensos nós ficamos assistindo essa série. É uma pena, já que estamos falando de uma adaptação do grande Stephen King. Quer assistir uma boa adaptação de O Nevoeiro? Então procure o filme de 2007. Não invista nesta série.

Veredito da Vigília