Gaga Five Foot Two | Crítica

O documentário Gaga: Five Foot Two chegou ao catálogo (no dia 22 de setembro) da Netflix e monopolizou a atenção dos Little Monsters. Durante 1h40 é possível acompanhar a trajetória de Stefani Germanotta, nome verdadeiro da estrela, durante a criação do seu novo álbum, Joanne, e da oportunidade se apresentar no show de intervalo do Super Bowl. O ápice de muitos artistas musicais e o minuto mais caro da TV Mundial.

O diretor do documentário, Chris Moukarbel, apresenta aos telespectadores uma versão diferente da mundialmente famosa Lady Gaga. Mais do que uma artista excêntrica com um currículo que inclui fantasias exageradas e vestidos de carne, Gaga é humana, sente medo, raiva e nervosismo.

O título de seu álbum, lançado em 21 de outubro de 2016, por exemplo, é uma homenagem a uma falecida tia: Joanne Germanotta. Vítima do lúpus, menos conhecido durante a década de 1970, Joanne também era uma artista: pintava e escrevia. Gaga então, como forma de tributo à tia e de homenagear seu pai e sua avó, dedicou o álbum a eles. Além de tratar sobre questões familiares, também é um strip da alma da cantora, que sofreu ao considerar que os fãs e a crítica poderiam não gostar de sua obra mais pessoal.

Com o recente cancelamento de sua apresentação no Rock in Rio 2017 e de alguns shows da turnê de Joanne, após ver em tela a situação de Gaga, ficou mais fácil entender os seus motivos. Ainda sofrendo por conta do quadril quebrado em 2012, a cantora sofre fortes dores e espasmos no corpo, além de tomar uma bateria de remédios. Tudo isso é mostrado entre muitas lágrimas, que possibilitaram ver a pressão e o nervosismo de ser uma mega estrela.

Stefani Joanne Angelina Germanotta, a Lady Gaga, na vida real

A obra traz as centenas de entrevistas ao redor do mundo, o cerco dos paparazzis e os fãs enlouquecidos em uma sufocante sequência de imagens que traz à tona o lado escuro da fama. Gaga mesmo menciona em determinado momento o quão fácil é se perder para as drogas e o álcool, como aconteceu com diversos colegas de profissão. Ela ainda conta que a cada passo importante de sua carreira, perdeu um grande amor. É triste vê-la contar que passa os dias sendo tocada por pessoas e conversando com outras, para, no fim do dia, acabar em solidão e silêncio.

Entretanto, apesar das dores e dos eventuais ataques de pânico, é possível ver Lady Gaga no seu auge. Ela conta o quão decisiva é essa fase em sua vida, por conta de apenas agora, com 30 anos (na época da gravação), se achar boa o suficiente e merecedora de tudo o que alcançou. Gaga destaca também o quanto é necessário se fazer visível nessa indústria dominada por homens poderosos. De acordo com ela, usar trajes excêntricos e chamativos era uma forma de se sentir no controle da situação. É inspirador assistir uma mulher que luta diariamente por sua visibilidade e pela chance de ser quem quiser, sem desistir.

Além de tudo isso, como qualquer fã, é válida toda experiência que mostre um pouco mais sobre a vida de seu ídolo. Desde ver a cantora atender o telefone dizendo “Olá doutora, é Stefani” ao assistir a musa emocionada no batizado de um afilhado. A cada minuto mostrado em tela, a admiração pela artista aumenta. Ainda podemos acompanhar a Mother Monster durante os preparos e os ensaios para a sua apresentação no intervalo do Super Bowl 2017, que, de acordo com ela, seria o ponto máximo de sua carreira.

Gaga: Five Foot Two é uma oportunidade de desmistificar uma grande estrela, de vê-la em jeans e camiseta, sem maquiagem e com o coração aberto. E vamos lá, ela é ainda melhor em sua forma natural.

Não se preocupe, Little Monster! Você pode carregar a rainha Joane no peito. Confira a estampa da Chico Rei homenageando a Lady Gaga: https://goo.gl/UDfbBz

Veredito da Vigília