A Rainha Pirata | Crítica

Um dos quadrinhos que buscou suporte via Catarse e que ajudamos a divulgar esse ano aqui na Vigília foi A Rainha Pirata. Com a meta atingida, recebemos o excelente exemplar da obra de Gisella Pizzato e Bruno Büll. A graphic novel baseada nos contos da pirata mais famosa da história, Grace O’Malley, foi adaptado da obra irlandesa da editora Clo Mhaigh Eo, que em 2013 ganhou o Prêmio Nacional de Literatura em Irlandês como melhor livro ilustrado. A responsabilidade era grande para os autores brasileiros.

Em 95 páginas, contando Concept Arts e notas de produção, A Rainha Pirata traz três capítulos das aventuras de Grace na Irlanda do século XVI. Vinda de uma família de tradição marinheira, ela teria o destino de toda a mulher da época, ficando em casa com as ultrapassadas tarefas que segregavam homens e mulheres na sociedade. Mas ela nunca se conteve e, na primeira oportunidade, escapou para o navio com seus pais e irmãos. Ali começa a ser traçado o verdadeiro caminho da maior pirata da história.

Pintada e escrita por Gisella, com desenhos de Büll, o trabalho final ficou caprichado, com material digno de um colecionável da grandeza dos feitos de Grace O’Malley. Com uma estética colorida e com muita clareza, A Rainha Pirata passa por alguns dos principais episódios da personagem principal, que viveu entre 1530 e 1603. A protagonista é também um exemplo para poder feminino que vem tomando cada vez mais (o que está mais que certo) o mundo atual. A leitura é fluente e vale para quase todas as idades. Eu disse quase, afinal, uma pirata sabe empunhar uma espada quando lhe é conveniente.

A história de Grace não deixa de se assemelhar a clássica jornada do herói. Mesmo achando que tinha conquistado muitas coisas, a vida lhe mostrou que a auto suficiência pode ser bem prejudicial, além de colocar desafios clássicos de que toda ação, tem uma reação. E Grace sofre com suas atitudes. Mas, com a personalidade digna de uma mulher protagonista de sua própria história, ela sempre acaba mostrando que os limites só existem quando nós mesmos nos damos por vencidos. E tudo isso conta muito no momento em que ela cruza o Tâmisa e exige ver a Rainha Elizabeth I.

A Rainha Pirata é daquelas obras que nos fazem ficar ainda mais felizes com a existência de ferramentas como o crowdfunding e que há alternativas às grandes editoras e uma quebra importante no mercado e na indústria. Não fosse por isso, talvez não tivéssemos tantas possibilidades de descobrir trabalhos como esse, que valem a pena ser lidos e divulgados.

 

Veredito da Vigília