Planeta dos Macacos: A Guerra | Crítica

Com estreia marcada para dia 3 de agosto, Planeta dos Macacos: A Guerra é o desfecho perfeito para uma ótima trilogia. O pacote iniciado pelo diretor Rupert Wyatt, em Planeta dos Macacos: A Origem (de 2011), e continuado com o agora badalado Matt Reeves, que deve dirigir o novo filme do Batman, mostra um arco bem construído e uma boa história. Temos o começo (2011), o meio – com Planeta dos Macacos: O Confronto (2014) e agora o fim. Com méritos e créditos ainda maiores para Reeves, que fez a melhor parte da trilogia.

Com o clima animalesco e tribal desde o início dos créditos da famosa abertura da 20th Century Fox, somos apresentados para um mundo ainda mais perto do fim do que no último encontro, quando a guerra começou. As raças humana e símia desde então não cessaram a briga que vem devastando as duas espécies. César e seus companheiros estão sendo caçados pelos humanos e obrigados a deixarem seus lares em busca de uma terra melhor. A sombra de Koba (Toby Kebbell), o macaco que provocou tudo isso no filme anterior, continua assombrando e retumba nos pensamentos do líder César, ainda mais marcante no seu papel por captura de movimentos pelo também ótimo Andy Serkis (o Gollum da trilogia O Senhor dos Anéis e o expoente quando o assunto é dar vida a um personagem digital). É notável o crescimento e o aperfeiçoamento dos efeitos especiais de um filme para outro. Além disso, as coisas estão bem amarradas, e tudo que nos foi lançado dentro desse novo universo de Planeta dos Macacos ainda ecoa até aqui. Assim como a morte dos humanos, o vírus da gripe símia também evoluiu, e agora, ele será responsável pelo regresso do homo sapiens na escala evolutiva. E esse regresso começa com a perda de um dos dons que mais nos diferencia dos demais, que é a fala.

Outro grande trunfo de Planeta dos Macacos: A Guerra é transpor os limites de humanidade e subverter esse conceito. Se até aqui todos tinham algum motivo para assumir e torcer pelo “time dos humanos”, agora não será possível. A causa símia é a nossa causa, pois são eles os que representam o melhor de que podemos e queremos para a sociedade. Eles querem conviver em paz, mas a clássica brincadeira do homem de querer ser deus sai pela culatra, e as consequências agora são o pânico e o medo de uma nova raça que só existe em função do descontrole humano. O clássico da criatura contra o criador. E para fazer a oposição ao líder César, temos Woody Harrelson na pele do Coronel. Ainda que ele seja antagonista, ele vai conseguir dar aquela carga dramática para que possamos pensar que numa guerra, não existe só um lado. Todos estão lá por suas razões. E a vingança pode explicar muita coisa.

No meio de tudo isso temos momentos trágicos, alguns respiros cômicos, com o “Bad Ape”, um macaco com mais idade, interpretado por Steve Zahn (The Wonders: O Sonho não acabou) e ainda a integração com a menina Nova (Amiah Miller). Maurice (Karin Konoval) também retorna e temos até mesmo alguns macacos que traem sua própria espécie. E no final, nem tudo fica resumido em evolução ou lei do mais forte. Existe também a lei da natureza, que é o que pode fazer uma grande diferença, seja ela em Planeta dos Macacos, seja ela na vida real.

Além de uma grande trilogia, Planeta dos Macacos também virou uma estampa incrível da Chico Rei para almofadas e outros acessórios, olha só: https://goo.gl/ceWKEU

Veredito da Vigília