Dunkirk é um espetáculo cinematográfico | Crítica

Uma união de elementos, cinematográficos e da natureza, fazem de Dunkirk a maior das obras que veremos no cinema em 2017. Feita com esmero para ser assistida em telas grandes – e quanto maior, melhor – Christopher Nolan conta uma história que transforma uma derrota em uma narrativa vitoriosa, não para a maioria de seus personagens, mas certamente para cada cidadão que estiver sentado dentro de uma sala de cinema. Dunkirk é feito para ser desfrutado, curtido, e também para nos tensionar e emocionar com tudo que o envolve.

Fotografia: um frame já fala muito!

Seja por terra, pelo mar, ou pelo ar, Nolan amarra uma linha do tempo que vai e volta de maneira fácil, e ao mesmo tempo surpreendente, costurando lentamente o caminho de diferentes personagens. O caminho de todos eles se cruza e impacta um no dos outros, seja o marujo à deriva, o piloto que caiu, o piloto que continuou, o recruta que tenta embarcar ou mesmo o grupo de voluntários que coloca a pátria na frente da própria vida. Dunkirk são várias histórias em uma só. E de lá, mais de 300 mil vidas foram salvas. Do início pro fim, ou do fim para o início, a narrativa por si só é uma conquista.

O embate é baseado em fatos reais. Dunkirk é uma cidade do litoral francês, um dos portos que foi cercado durante a Segunda Guerra Mundial. Mas aqui os inimigos sequer aparecem. Mais uma vitória na forma narrativa de Nolan. É naquele litoral que tropas francesas e britânicas aguardam resgates que possivelmente não virão da forma que eles gostariam. As questões geográficas são apesar da proximidade, um fator negativo. O piloto Farrier (Tom Hardy) que o diga. É dele a missão aérea e o ato que vai custar muito caro.

Com uma fotografia espetacular, graças a mistura de IMAX e filme fotográfico 65mm, e um som com a crueza necessária de uma guerra, Dunkirk te coloca dentro do embate, ainda que não tenhamos também algum tipo de confronto corporal. Tudo é uma dança bem coreografada. O inimigo será o tempo, a maré que sobe, ou o combustível que falta. O ritmo colocado pela trilha sonora é marcante como um ponteiro de relógio, colocado pelo sempre ótimo Hans Zimmer. E isso torna o espetáculo ainda melhor. Como o próprio Nolan disse, é uma história de guerra que não acaba nem com rendição e nem com aniquilação.

O estreante Fion Whitehead

Além de Tom Hardy, o diretor ainda arranca interpretações marcantes, num elenco que, além de Hardy, conta com Keneth Branagh (Hamlet), Mark Rylance (Ponte dos Espiões), Cillian Murphy (trilogia O Cavaleiro das Trevas), o estreante Fionn Whitehead e o ‘One Direction’ Harry Styles. Tudo isso recheia um pacote bem embalado e entregue de forma excepcional. Nolan é o cinema para quem gosta de cinema.

Dunkirk estreia dia 27 de julho nos melhores cinemas do Brasil.

Veredito da Vigília