Em Ritmo de Fuga (Baby Driver) | Crítica

Sabe aquele filme bem feito, caprichado nos detalhes e que você tem vontade de assistir cada vez mais? Não, não estou falando de Homem-Aranha: De Volta Ao Lar novamente, calma lá. Então, se você ainda não ouviu falar, orgulhosamente te apresento Em Ritmo de Fuga, famigerada adaptação do nome original que é Baby Driver. Dirigido e escrito pelo cineasta inglês Edgar Wright, o longa mistura ação, diversão, corridas de carro e música, muita música. Wright, pra quem não lembra, foi o responsável por Scott Pilgrim Contra o Mundo (2010), Todo Mundo Quase Morto (2004), Chumbo Grosso (2007), ou seja, não tem filmes menos do que ótimos na carreira. Coloque nessa conta também os créditos quase que totais por Homem-Formiga (2015), filme que ele encabeçou, mas acabou saindo por não ter o controle total da obra da Marvel. Enfim, tudo isso pra dizer que estamos diante de um dos grandes filmes de 2017.

Ansel Elgort, ou Baby, sob orientação de Edgar Wright

Depois da sessão de imprensa, fiquei pensando e tentando procurar algum defeito na trama, nos atores e nas soluções. Mais de três horas se passaram e ainda não consegui identificar, então vamos adiante. Pra começar, o elenco foi escolhido a dedo. Temos o jovem Ansel Elgort, que caiu diretamente de A Culpa é das Estrelas, marcante na pele do mocinho Baby. Um Kevin Spacey (House Of Cards) numa participação nível Kevin Spacey. O oscarizado Jamie Foxx como um dos bandidos (e você vai ficar com muita raiva dele), o interessante casal de ladrões Buddy (Jon Hamm) e Darling (Eiza González) e uma ponta com Jon Bernthal (Demolidor/Justiceiro) e o baixista do Red Hot Chili Peppers, Flea. Completa o todo CJ Jones, vivendo o pai adotivo e deficiente auditivo de Baby.

Jamie Foxx, Kevin Spacey, Edgar Wright, Flea e Lanny Joon

Baby é um herói diferente. Talvez ele não seja bem um herói. Seu talento é no volante, mas ele não precisa de um Camaro robô (Transformers) ou um Dodge Charger preto (Velozes e Furiosos) para se provar. Basta um Subaru 2006 que ele deixa qualquer um dos outros pra trás. Com um trauma pessoal, ele desenvolveu alguns costumes que o ajudam a ficar concentrado – é aquela coisa, um trauma pessoal faz o herói (a Marvel que o diga) -, e um desses costumes já é o pretexto para nos brindar com uma belíssima trilha sonora. E aqui um ponto alto, os créditos iniciais são tão musicais quanto um La La Land da vida, onde música, cenário, coreografia e tudo mais se completam. A partir daqui a música vai embalar todos os 113 minutos de filme.

Em qualquer carro, Baby se garante

Baby deve para Doc (Kevin Spacey), o motivo não sabemos, mas sua dívida está sendo paga com seu trabalho de motorista de fuga. E a cada roubo, Doc muda sua equipe de assalto. Mas Baby quer largar essa vida, principalmente depois de conhecer a graciosa Debora (Lily James, de Orgulho e Preconceito Zumbi). Obviamente, largar essa vida não será nada fácil e terá impacto direto em seu relacionamento. Por tudo isso, Wright comanda um espetáculo estiloso e que mescla todos os sentimentos que gostamos de sentir em uma grande produção. Nesse plot, Em Ritmo de Fuga acerta em tudo, desde a relação conturbada com os bandidos, até as cenas engraçadinhas do de Baby e Debora. Ainda sobra tempo para homenagear as peças  mais fundamentais nas vidas de jovens que já fomos ou somos, seja gravando uma fita-K7 ou uma playlist num Ipod (ambas tecnologias obsoletas, mas já retrô o suficientes para virarem ícones).

Lily James e Ansel Elgort e aquela química legal

Com tudo já colocado, a cada cena que passa a gente fica com aquela impressão de que o filme está indo para o final, mas torcemos para que ele não termine tão cedo. Vamos ganhando mais e mais cenas bacanas, e um final ainda melhor, por não cair na obviedade clássica do cinemão e do “tudo acaba bem”. Edgar Wright coloca mais um pouco de vida real e ganha ainda mais pontos com a audiência, que sai com um belo sorriso no rosto enquanto sobem os créditos.

 

Veredito da Vigília