Mulher-Maravilha: Tudo com spoilers

Agora o espaço é reservado para aqueles que não se importam de ler e saber tudo que acontece antes de assistir ao filme. Esse texto é pra você que tem o corpo fechado e não é afetado com os clássicos spoilers, afinal, hoje em dia é cada vez mais difícil fugir deles. Então vamos falar tudo que achamos de Mulher-Maravilha, sem medo de ser feliz. Leia por sua conta e risco.

Trama

O plot todo mundo já sabia. Tudo começa na ilha de Themyscira. Mas antes dela, temos uma bela introdução feita toda com efeitos especiais contando a história dos deuses e da criação da ilha das amazonas, envolvendo o embate entre Zeus, que havia criado os homens, e Ares, que ficou com inveja da criação de seu pai. É um pouco do que tínhamos nas introduções dos primeiros filmes dos X-Men, porém mais elaborada e caprichada, com um visual incrível, diga-se de passagem.

Momento fofura do filme! (Divulgação/Warner)

Pequena Diana

Depois disso, temos a pequena Diana (você vai se encantar por Lilly Aspel) na ilha, desde pequena acompanhando os treinamentos de suas colegas e sua tia Antíope (Robin Wright), a maior guerreira do local. Hipólita (Collin Nielsen) não deixa sua filha treinar ou aprender o que todas fazem na ilha (meio sem sentido, mas ok). Ela começa a treinar escondida e vemos as clássicas cenas de treinamento enquanto ela cresce, até seu desfecho impactante, quando derrota Antíope, agora já crescidinha e interpretada por Gal Gadot.

 

A chegada de Trevor e a Guerra

O laço da verdade é garantia de boas cenas (Divulgação/Warner)

Esse desfecho culmina com a chegada e queda do avião de Steve Trevor (Chris Pine) no mar próximo ao lar das amazonas. Diana, recém saída de seus treinamentos, vê o acidente e salva o espião britânico. Mas, ele era perseguido e uma frota de nazistas acaba também encontrando a ilha paradisíaca, que acaba sendo palco de uma das cenas de ação mais legais do filme. As guerreiras, e principalmente Diana, percebem que já não estão mais em um mundo perfeito, e a heroína já encara a morte de Antíope, sua principal incentivadora. É claro, os nazistas acabam se dando mal, perante as guerreiras. Até mesmo Hipólita entra na briga.

Trevor é interrogado, com o laço da verdade, e já temos o humor que não tínhamos visto anteriormente (as piadas de Batman Vs. Superman não contam). Catapultada pelo seu senso de justiça e de acabar com o que ela considera uma guerra unicamente conduzida por Ares, ela acaba levando Trevor de volta para a batalha. Antes disso, ela também acaba conhecendo e vendo os detalhes do sexo oposto, em uma cena com mais uma piadinha mostrando ingenuidade e uma outra piada bem pronta (quase desnecessária). E claro, ela também se equipa com tudo que tem direito: escudo, “armadura” e a espada “Matadora de Deuses”.

A cena da foto que já vimos em Batman Vs Superman (Divulgação Warner)

Na Terra dos Homens

Em uma embarcação, Diana e Trevor seguem para a Terra dos Homens, com o intuito de “acabar com a guerra”. A heroína conhece as agruras e pesadelos consequentes da ambição humana por poder. Mas antes disso, conhece também um pouco dos modos e vestimentas, além de dar mais um show de ação ao salvar Trevor pelos becos de Londres. Ponto alto para o filme, Trevor desde o início sabe que é ela quem tem a capacidade para os principais embates. É ela quem pode lhe proteger, e não o contrário. As mulheres se bastam, inclusive quando o assunto enverga para os “desejos carnais”. Os homens só servem para procriação biológica (risos). Enquanto isso, os inimigos trabalham no desenvolvimento de gases e armas biológicas capazes de dizimar milhares de pessoas. Os personagens Ludendorff (Danny Huston) e Dra. Maru (Elena Anaya) são vistos e personificados como os principais catalisadores da guerra. Seria Ludendorff a reencarnação de Ares? Talvez, mas uma poção, ou pó, que dá força sobre humana ficou meio deprê para justificar os poderes do representante do mal.

Diana e Hipólita em Themyscira (Divulgação/Warner)

O grupo

Antes de embarcar para a missão quase suicida que tentaria desativar as usinas de armas de destruição biológicas, Trevor e Diana recrutam um grupo bem misturado. Um clássico para a representatividade nos dias de hoje. Temos Sameer/ Samir (Saïd Taghmaoui) o personagem da Ásia Meridional, Charlie (Ewen Bremmer de Trainspotting), o europeu escocês, e o Chefe (Eugene Brave Rock), um quase caricato índio americano. Todos eles levam Diana para o front, onde teremos mais boas cenas de ação e o já esperado romance entre Trevor e a personagem principal. Aqui vemos também que Diana vai descobrindo um pouco mais da extensão de seus poderes. Destaque para o andamento das lutas de Diana, que varia com seu escudo e espada, e também o laço da verdade. Uma coreografia colorida em um cenário sombrio.

A missão final

A chegada do arco final também revela o plot twist (que muitos já vão se ligar bem antes) com a revelação de que Ludendorff não era tudo aquilo. Ares se revela no personagem Sir Patrick (David Thewlis, o professor Lupin de Harry Potter), um antes aliado que incentivava Diana e seus renegados ao campo de batalha. Aqui começam alguns dos deslizes do filme.

Gal Gadot em ação como Mulher-Maravilha (Divulgação/Warner)

Ares antes um senhor franzino vai ganhando corpo e aumentando, virando um vilão de videogame, muito parecido com o que vimos no final de Rei Arthur: a lenda da espada – e olha que não tinha nada a ver o estilo ser lançado nesse filme -. Diana acaba enfim, enfrentando alguém tão poderoso quanto ela. Na luta, ela atordoada não vê o que se passa com Trevor, que precisa levar as armas e bombas biológicas para uma explosão para longe de todos. Então o recurso de que ela não escuta o que Trevor falou fica um pouco abaixo das expectativas. Seu amado então vai para o sacrifício e explode junto com as bombas, despertando o que faltava na heroína para acabar com o vilão de videogame carregado no CGI. Outro ponto negativo. Nem mesmo levando uma surra a Mulher-Maravilha tem seu cabelo bagunçado ou sequer um arranhão no rosto. A beleza e elegância de uma top model continuam por lá mesmo nos piores momentos.

Final emotivo, raios azuis (sempre raios azuis) e vitória épica. O final que todos esperam em uma luta um pouco bagunçada. E nos instantes finais da trama uma quase mancada. Não falamos antes, então se você chegou até aqui, parabéns! O início do filme mostra Diana trabalhando no museu Louvre, na França, e recebendo uma importante entrega das Empresas Wayne. Aqui o fan service aguardado. A entrega é a foto clássica de guerra que vimos em Batman Vs Superman. Um bilhete de Bruce junto da foto diz: “Achei a original, será que um dia você vai me contar como tudo isso aconteceu?”. E a partir daí entramos em toda a história, como uma imersão total nas memórias da Mulher-Maravilha. Então, após toda a recordação, voltamos ao Louvre e Diana respondendo ao amigo Bruce. Aí confesso, dá aquele medo de que toda a história é um simples relato dela para o vigilante de Gotham. Essa seria uma solução um tanto constrangedora para o final do filme (e até muito parecida com o final extra de Homem de Ferro 3). E por sorte, e alívio de todos, ela não se confirma. O que temos ao final é o que parece Diana entrando em cena contra uma grande e possível ameaça. Será a ligação com Liga da Justiça? Veremos em novembro! E tudo melhora com ela saltando, ou voando mesmo, em direção ao horizonte, assim como vimos no final do Homem-Aranha de Sam Raimi. Clichê, mas ótimo!

Veredito da Vigília
  • Fernanda Schuck Sápiras

    Amei a resenha, e quatro estrelas me deixaram animada para ver o filme (não que eu fosse desistir por algo como isso…), estou ansiosa para formar minha opinião neste final de semana.

    • Robson Francisco Nunes

      Valeu! Vai com fé que não há arrependimentos!