Corra! | Crítica

Corra! o filme mais badalado do primeiro semestre de 2017 chegou aos cinemas. E com ele todo um barulho que veio de seu sucesso prévio vindo das críticas e bilheterias norte-americanas. Lá o filme de Jordan Peele estreou com meses de antecedência em relação ao Brasil (fevereiro). E com isso vem aquela clara dúvida. Será que é tudo isso? Aí entramos naquela teoria que temos que levar para a vida: Sempre vá com baixas expectativas. É melhor, você não se frustra. Funciona com várias temáticas da vida. Experimente. E se for bom, você será surpreendido.

Com Corra! (Get Out) a teoria funciona muito bem. Tive que assistir duas vezes. Na primeira a expectativa era alta. Eu estava diante do filme “não blockbuster” que mais fez barulho no ano. Não senti tanta firmeza. Mas na segunda vez, dei aquela chance. Com um sentimento um pouco mais aberto, percebi o real valor do filme. Em meio a tantas produções clichês e mais do mesmo, Corra carrega consigo um certo tipo de frescor e novidade que faltava em filmes mais focados no terror. Não é uma obra-prima, mas funciona muito bem com uma novidade, além de carregar consigo também algumas temáticas há algum tempo esquecidas pelo gênero.

Como você já deve perceber, Jordan Peele criou um cult meio instantâneo. A imagem de Chris (Daniel Kaluuya) com os olhos esbugalhados e sentado em um sofá já entrou na fila para ícones da cultura pop do ano. Ele (negro) vai passar alguns dias fora e conhecer a família da namorada Rose Armitage (branca – Alisson Williams) na casa deles. A trama já te carrega com este tipo de “desconforto”, que infelizmente ainda existe na sociedade. Chegando lá, ele conhece uma família aparentemente normal, mas que vai se mostrando um tanto estranha. Quando você imaginaria chegar na casa de sua sogra e ser hipnotizado por ela sem consentimento? Ah, pois é.

Aos poucos o estranhamento vai aumentando. E Jordan Peele nos leva ao mesmo tempo numa jornada exótica com amparos racistas. Em uma festa tão estranha quanto o filme, Chris se vê cercado de pessoas que só comentam o fato dele ser um homem negro. Nessa mistura ainda entram os empregados da família de Rose, todos negros, e com reações tão estranhas quanto suas falas. No final das contas, a hipnose que trouxe traumas de infância à Chris acaba lhe derrubando. Aprisionado, só assim ele vai entender (ou não) o que se passa nessa família de brancos e em que todos mostram um distinto interesse pelo rapaz de pele com tom diferente. Talvez a grande diferença de Corra! para os já tradicionais filmes do gênero seja realmente a exploração de um tema ainda tão latente em todo o mundo, com a pitada de quem vem diretamente da comédia. A linha, às vezes, pode ser tênue entre o trágico e o cômico, e isso não é um demérito. Corra! é realmente um filme diferente.

 

Veredito da Vigília