A justiça não é crime em A Qualquer Custo

 

A Qualquer Custo (Hell or High Water, 2016) corre por fora na corrida pelo Oscar. Longe dos badalados La la land e dos dramáticos Manchester à beira mar, Lion e Moonlight, o filme traz a expressão americana no título e nos aponta para uma grande dificuldade ou obstáculo. É essa dificuldade, criada para uma pobre família do Texas a partir das grandes especulações imobiliárias e bancárias, que guia a boa trama do diretor escocês David Mackenzie, em uma das gratas surpresas do cinema para este início de ano. Soma-se ainda os ingredientes de grandes atuações de Ben Foster (fazendo o irmão fora da lei), Chris Pine e o excelente Jeff Bridges (aqui merecidamente indicado ao melhor prêmio de ator coadjuvante). Mesmo à sombra da popularidade dos concorrentes, o longa é digno de ingresso, pipoca, refrigerante e tudo mais que estiver ao alcance da sessão do cinema. Aliás, ele estreia no dia 2 de fevereiro.

Bridges, excelente no papel de xerife

Cercada pelo clima texano, onde a lei do mais forte parece ser o cerne de cada personagem que aparece, A Qualquer Custo é daqueles filmes que nos fazem torcer pelos vilões. Tal qual como fazíamos em Breaking Bad e o saudoso Heinsenberg. Para resolver os problemas financeiros da família, açoitada pelos bancos e hipotecas – logo no início vemos a crítica pichada em um dos bancos – os irmãos Tanner (Foster) e Toby (Pine) Howard começam a assaltar bancos. E com esse dinheiro, quitar suas dívidas com os mesmos bancos. Isso mesmo, combatendo fogo com fogo. A ideia é parar assim que a conta terminar, mas o xerifão Marcus Hamilton (Bridges), que está prestes a se aposentar (sempre isso!), quer deixar as coisas resolvidas, e não descansa até descobrir, ou pegar, o grupo que está assolando as pequenas cidades texanas. Rápido parênteses: Na disputa pelo ator coadjuvante teremos dois xerifões excelentes. Além de Bridges, Michael Shannon disputa por seu papel em Animais Noturnos. E aqui já lançamos a ideia: Façam um filme com os dois personagens juntos. Eles são ótimos!

Bridges e seu parceiro indígena

E, para que possamos comprar a briga dos irmãos fora da lei, o diretor vai nos pincelando em parcelas o tamanho das especulações financeiras. Elas estão nos diálogos dos moradores, no gerente que os apoia, e nas inúmeras placas mostradas nas rodovias. Aliás, as rodovias nos dão o tom de faroeste moderno, com um ar de Road trip. E o orgulho e a noção de cowboys exploradores (que é a essência de parte dos norte-americanos) fica escancarada nos chavões e clichês de cada personagem. Nem mesmo as garçonetes são menos grossas que os tipos do estilo John Wayne (perceba o excelente atendimento da velha garçonete da última cidade em que eles passam). Por todo esse contexto, queremos que os irmãos façam a sua própria justiça. Mas, a justiça texana pode servir para uns, e não para outros. Sem entregar o final do filme, a Vigília recomenda. E você pode ir ao cinema A Qualquer Custo, que vai valer a pena.

Veredito da Vigília