Os altos e baixos de Desventuras em Série

Se você estiver procurando uma crítica animada e feliz, avisamos que esse não é o seu texto. Ainda dá tempo de fechar esse post e ler algo com otimismo, como Unbreakable Kimmy.

Você está aqui ainda? Então confira o que achamos de Desventuras em Série.

Desventuras em Série era uma das produções da Netflix mais esperadas em 2017. Tudo que foi revelado até o momento da sua estreia deixou os fãs em polvorosa. Sim, fãs. A série de livros fez muito sucesso no início dos anos 2000 e muitas crianças da geração que faz 25 anos esse ano, inclusive eu, ficaram viciadas nos livros.

A saga de treze livros conta a história dos órfãos Baudelaire, que perderam os pais em um incêndio terrível. Com isso, eles ficam sob a guarda do Conde Olaf, um primo distante e assustador. O único objetivo do Conde Olaf é roubar a fortuna que as crianças possuem. Durante todos os livros os Baudelaire vão passando por tutores e locais diferentes, tudo para fugir do Conde Olaf, que sempre está atrás deles usando disfarces e fantasias bizarras, o que não é diferente na série.

Em 2004 foi lançado um filme que reunia os primeiros livros, Mau Começo, A Sala dos Répteis e O Lago das Sanguessugas (quase a mesma proposta de Netflix). Com um elenco que tinha Jim Carrey como Conde Olaf, Jude Law como Lemony Snicket e Meryl Streep dando vida à Tia Josephine, infelizmente o filme foi subestimado e descontinuado, mas que é uma excelente obra (recomendo! – está disponível no catálogo do serviço de streaming). Quando anunciaram que a Netflix faria uma série baseada na história, foi impossível não se animar.

Assim como no filme, a Netflix seguiu, com fidelidade, a história contada nos livros. A forma com que o narrador, Lemony Snicket, vivido Patrick Warburton, conduz a história, com cortes e aparições no meio dos episódios ficou muito legal, dá um respiro às cenas tensas que a série possui. Todos os personagens, histórias e acontecimentos são como descritos e criados em nossas imaginações, se tiveram distorções, não houve nada que me incomodou em relação ao roteiro. Cada derrota vivida pelos órfãos Baudelaire, Violet (Malina Weissman), Klaus (Louis Hynes) e Sunny (Presley Smith), nos faz ficar com mais raiva do Conde Olaf (Neil Patrick Harris).

A produção conseguiu criar um ambiente que é tão cinza e triste quanto deveria ser. Assim como nos livros e no filme, a montagem de cenário, escolha de figurino e maquiagem foram muito acertadas e nos levaram pro mundo particular da série. E outro grande acerto dessa produção foram as músicas. A abertura é um ponto altíssimo. A música empolga e vai mudando em cada episódio.

Neil Patrick Harris ou Jim Carrey?

Entretanto, nem só de acertos vive essa produção. Vou dar agora uma declaração polêmica, que vai talvez faça você me odiar, mas vamos lá: o Conde Olaf, de Neil Patrick Harris me incomodou. De verdade. Quando descobri que seria ele que daria vida ao vilão dessa série, preciso confessar que vibrei, e muito. Ele é um grande ator e uma pessoa super carismática, não tem como não gostar. Só que, por ele ser tão incrível, acabaram dando um espaço que talvez ele não precisasse. A série é sobre os órfãos Baudelaire, não sobre o Conde Olaf. E parecia que todos haviam se tornado coadjuvantes para os mil e um disfarces do vilão reinarem. Além disso, ele se tornou muito mais sombrio que se esperava. A interpretação do filme, feita por Jim Carrey, trazia um alívio cômico às cenas tensas, já que o Conde é um ator frustrado que tentava, o tempo todo, roubar a fortuna dos irmãos, mas da forma mais torta possível. Esse Conde Olaf não teve cenas que garantiram nossas risadas e um pouco de leveza à série, ele só inspirava medo. Preciso confessar que, por mais que eu goste de Neil Patrick Harris e ele tenha roubado o protagonismo da série, meu conde favorito continua sendo o interpretado por Jim Carrey.

Todos os dias, Neil Patrick Harris ficava 3 horas preparando a maquiagem para viver Conde Olaf.

Aliás, outro ponto fraquíssimo da série é o elenco e as suas interpretações. Houveram falhas, interpretações ruins, que deixaram muito a desejar, principalmente se compararmos com as interpretações de Neil Patrick Harris e Patrick Warburton. Tinham cenas que eram nítidas as disparidades nas interpretações. Além disso, os efeitos especiais foram outro ponto fraquíssimo.

Porém, a parte que mais decepcionou não está relacionada com a Netflix, mas com as minhas expectativas. Depois de assistir Animais Fantásticos e Onde Habitam, ver um trabalho de Fanservice tão bem executado, uma produção que foi ótima para os Potterheads e animou todos os outros espectadores, esperava algo parecido de Desventuras em Série. Mas o que eu vi foi uma produção voltada ao público infantil e adolescente, como se os produtores tivessem ignorado aqueles fãs de mais de vinte anos. Talvez seja essa a ideia.

No geral, é uma boa série. Cumpre a função, tem músicas animadas e pode empolgar quem não for ranzinza e fã, como eu. Agora, nos resta esperar a segunda temporada, já confirmada, para ver se alguns erros serão reparados.

Veredito da Vigília