Assassin’s Creed: o veredito

Assassin’s Creed está na lista de pré-indicados ao Framboesa de Ouro. Mas a Vigília discorda. A obra não merece ter sua história vinculada aos piores do ano. Apesar de alguns conceitos que não se sustentam e deixar claro que é um filme baseado na franquia da Ubisoft para os videogames, o longa parece abrir a porta de mais uma sequência de filmes que vêm por aí, deixando agora suas continuidades nas salas de cinemas. E indicamos os motivos: Assassin’s Creed tem assinatura, tem ambientação, tem grandes planos (bem caprichados), ótimas cenas de ação (lembra do Salto da Fé?), vitalidade e até certo ponto, tem personalidade. A Vigília aposta em continuações.

Por tudo que indicamos antes, talvez a melhor experiência para este filme seja uma sala IMAX. O diretor Justin Kurzel fez questão de extrapolar as possibilidades que esta tecnologia sugere. A águia que nos guia por parte dos cenários durante o longa é um desses exemplos. Ela baseia os grandes planos abertos do filme que nos trazem cenários bem grandiosos. A derrapada fica por conta da história e dos ditos embates entre a vida e o livre-arbítrio. Nessa hora, parecem querer vender um conceito de algo muito superior, mas no final… ninguém compra, e o que vale é que o astro Michael Fassbender, na pele do personagem Callum Lynch, por sua história e ancestrais, está vinculado ao Credo dos Assassinos, grupo que “luta pela luz, nas sombras”. E cabe a ele, terminar a crise que se arrasta há séculos junto aos Templários. Esses por sua vez, querem a partir de uma empresa de alta tecnologia, a Abstergo, “trazer a paz”. E eles (Jeremy Irons e Marion Cotillard) contam com Lynch, uma espécie de cobaia, que ao fazer uso do aparelho chamado Animus, volta ao passado via “memória genética” (olha a Viagem no Tempo aí gente!) e à época da Inquisição Espanhola. São nesses momentos em que o filme se paga, fazendo uma ponte entre alta tecnologia e cenários históricos durante as cenas de ação.

Vale registrar aqui também, que embora astro do filme, Fassbender fala pouco. O suficiente para entendermos que ele é um assassino e tem um histórico com o Credo. A verborragia fica por conta de flashbacks e Cotillard, que embora linda, também parece fazer pouco caso durante sua atuação (talvez aqui o merecimento da Framboesa de Ouro, o que nos faz lembrar também da morte dela em O Cavaleiro das Trevas Ressurge …. ouch!). Outra parte que não chega a dizer porque veio é a “ordem” maior por trás dos Templários, na pele de Charlotte Rampling. E se a história se distancia um pouco do game, não chega a abalar. O ponto alto segue sendo a cenografia e a roupagem do filme, essas sim, mais coerentes com o que saiu das resoluções do console. No final das contas, Assassin’s Creed é uma boa programação e joga um universo que pode sim, voltar a ser explorado em breve.

Veredito da Vigília